domingo, 6 de setembro de 2015

Não era eu

foi assim que terminou.

a porta batendo
e as malas rolando a escada
você entrando no carro
eu aqui na sacada
teu ego acelerando sem rumo
meu íntimo contemplando o vazio
despido, ferido, imóvel
sentindo a pele arder de frio
sem questionar motivo
nem nomear culpado
antes de ter um começo
ao fim estava fadado
não acredito em tempo
como mediação
nem fórmula que trate
o mau feito ao coração
habito a carcaça intacta
de feição impenetrável
aquela que dentro chora
um afora impermeável
lutando pela virtude
de desabrochar em flor
sobreviver à tristeza
para morrer de amor
proclamando em frases feitas
o que espero lhe ver encontrar
um motivo incontestável
que valha o teu ficar
estarei aqui parado
a espera do seguir
reunindo o necessário
para então admitir
que nosso futuro planejado
não planejava existir
onde está a coragem
para vir a aceitar
que nem se os caminhos fossem outros
você cogitaria ficar
que nunca fiz nada da vida
que não fosse te adorar
logo eu, logo eu, logo eu
que percebi tarde demais
que nessa transa a dois
só você fodeu
que esse complexo de solidão
sempre foi mais teu
que a inspiração dos seus versos
não era eu, não era eu, não era eu
e que teu amor
nunca foi meu
nunca foi
foi assim
foi assim que...

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