quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Análise: Magia ao Luar

Após o sucesso comercial e crítico de Blue Jasmine, o veterano diretor Woody Allen lança sua mais nova produção: Magia ao Luar. Protagonizado por Colin Firth e Emma Stone, a comédia romântica se passa na França dos anos 20.

Stanley (Colin Firth) é o rosto por trás do personagem Wei Ling Soo, um famoso ilusionista que está em turnê pela Europa. Durante sua passagem por Berlin, reencontra Howard (Simon Mcburney), um velho amigo que lhe faz uma proposta tentadora: desmascarar Sophie (Emma Stone), uma jovem médium que virou sensação no interior da França e caiu nas graças de uma família de milionários. Stanley, escondendo sua identidade de mágico, aceita o desafio e parte junto de Howard ao encontro da tal moça.

Magia ao Luar é um cabo de guerra onde duas teses medem forças: ceticismo total versus crença no inexplicável. Ao longo da história, vamos percebendo que mais importante que a realização de algo sobrenatural é o que de sobrenatural pode acontecer a partir da fé que temos. No final, o ato de acreditar talvez tenha mais poder que a magia em si. Um diálogo entre Stanley e Sophie numa das últimas cenas do filme deixa isso bem claro.

O personagem de Colin mais parece uma reencarnação de figuras já vividas pelo próprio Woody Allen: cético, racional e egocêntrico. É visível o esforço do ator nesse sentido. O contraponto fica por conta de Sophie que, com a ajuda da doçura de Stone, faz com que Stanley - e por vezes o próprio expectador - cogite acreditar em magia.

O surpreendente em  Magia ao Luar é justamente o que seria considerado clichê em outros filmes parecidos. Falar mais que isso entregaria o final, e ai a magia não iria acontecer. Aspectos técnicos são, como em praticamente todos os filmes do diretor, impecáveis. A fotografia e as belas paisagens francesas são um colírio para os olhos. Trilha sonora agradável e figurinos de época também ajuda a harmonizar a história.

Produzindo um filme por ano há mais de quatro décadas, a carreira de Woody Allen parece seguir uma linha de altos e baixos. Com um filme aclamado pela crítica seguido por outro que passa quase despercebido, no final das contas parece que o veterano diretor só quer mesmo é se divertir... e nos divertir. Magia ao Luar é um filme para se ver num sábado à tarde sem preocupação em interpretar ou analisar o roteiro. É um doce clichê que reforça que o amor ainda é a magia mais poderosa - e inexplicável - de todas. 



Belas Artes, meu amor!
Assistir a um bom filme já faz a ida ao cinema valer a pena. Mas quando se pode ver um bom filme num cinema completamente reformado e rodeado por pessoas interessantes, ai a coisa fica ainda melhor. O Belas Artes, agora Caixa Belas Artes, esta lindo! Bom atendimento, preço justo (R$10,00 a meia entrada) e ambiente agradável fazem do histórico espaço, um dos mais agradáveis que já visitei. Como nem tudo é perfeito, a qualidade do som nas salas ainda é inferior a de redes como Cinemark, por exemplo. Parece que o som sai da diretamente da tela, o que faz com que ele seja mais baixo que em outros cinemas. Talvez o problema estivesse no filme, talvez fosse só aquela sala, mas o fato é que causou certa estranheza.
Caixa Belas Artes: Rua da Consolação, 2423, São Paulo (ao lado do metrô Paulista).
Fone: (11) 2894 5781

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