sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Aquele que não virá

(para ser lido ao som de Magic, do Coldplay)

Os convidados já foram, a comida acabou, o vinho está quente e o café esfriou. Livre-se destes sapatos que machucam seus pés, tire esse vestido de festa, limpe a maquiagem.
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Pobre menina crescida, quem dera pudesse fazer com que a ilusão fosse menos sofrida, quem dera pudesse fazer com que a vida cinza fosse enfim colorida. Quem dera tivesse esse poder. Não tem.
Chega de sonhar com o beijo que não será dado. Chega de aguardar pelo telefone que não tocará. Chega de planejar os detalhes do tão esperado dia. Chega de imaginar a fisionomia da sua felicidade. Chega de esperar por aquele que não virá.
Se a solidão insiste em sua porta bater, deixe-a entrar. Aceite sua companhia, chame-a para dançar. Permita que ela te conduza, feche os olhos e flutue. Dois pra lá, dois pra cá. Faça da sala vazia teu palco. Transforme teus pés em armas. Potencialize seu vazio em ritmo, gire com gosto o mais forte que puder. Estenda-lhe a mão, entrelacem os dedos. Mova sua cabeça, mexa seu cabelo, balance-o como nunca antes, em todas as direções. Aumente a música, não deixe seus pés pararem. Liberte-se do que te aprisiona, liberte-se dessa ilusão que você mesma criou. Ele não virá. Ele sequer existe. Aceite seu destino. Eis o momento de abrir os olhos.
Agora deixe que a solidão conduza-a até a cama. Deite-se menina crescida, deite-se e durma o sono dos justos. Descanse a alma e repouse o corpo. Durma sem carregar a culpa por aquilo que foge a seu alcance. Durma sem esperar por companhia. Baste-se. Amanhã será um novo dia. Ainda há muita vida pela frente menina crescida, ainda há muita vida pela frente.


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