segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sobre o que falo quando falo sobre amor

a·mor |ô| (latim amor-oris) - substantivo masculino: 
1. Sentimento que induz a aproximara proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição, .atraçãogrande afeição ou afinidade forte por outra pessoa; 2. Sentimento intenso de .atração entre duas pessoas. = PAIXÃO 3. Ligação .afetiva com outremincluindo geralmente também uma ligação de cariz sexual.
4. Ser que é amado5. Disposição dos .afetos para querer ou fazer o bem a algo ou alguém. 


Desta vez farei diferente. Não usarei eu-lírico ou qualquer tipo de personagem para escrever estes versos. Sou eu, eu mesmo, em todas as palavras. O título do texto é baseado num livro de contos de um escritor americano chamado Raymond Carver. Dito isso, vamos lá.

Sempre acreditei que eu deveria ser o tipo de pessoa que gostaria de ter ao meu lado. Por um longo tempo me apeguei a esse preceito esperando que as coisas acontecessem, assim mesmo, naturalmente. Um esbarrão, uma troca de olhares, um truque do acaso meramente articulado por forças maiores (destino, vida, Deus, ou seja lá o nome que isso tiver). E não me importava quantas vezes a vida tentasse me impor caminhos contrários, eu sempre usava unhas e dentes para endireitar o curso que acreditava ser o mais natural. Mas de uns tempos para cá endireitar os caminhos tem se tornado algo pesado demais. Era para ser mais leve não era? 
Pior é quando as pessoas dizem que você mudou, e que o problema está em você. Eu sei disso. Tenho plena consciência de todos os demônios que preciso exorcizar, de todos os fantasmas que preciso afastar e de todos os nós que preciso desfazer. Não preciso que ninguém me diga isso. Há algo de profundamente estranho nas pessoas, elas acham que você precisa estar sorrindo o tempo todo. Tristeza faz parte da vida, é dura porém necessária. Em certo ponto da vida, esboçar sorrisos falsos torna-se cansativamente desnecessário. Quando falo sobre amor falo sobre saber lidar com a tristeza, seja ela sua ou não.
Em períodos assim, é comum focarmos no que não temos. Não é ingratidão. É que certos vazios só podem ser preenchidos por aquilo que foi feito para preenche-los. Não se pode preencher um vazio de amor com doses extras de carinho. Alivia, mas não resolve.
No meu mundo "quase normal" (expressão usada por um certo alguém uma vez), faltam lacunas. Lacunas que só podem ser preenchidas por aquilo que foi destinado a elas. Queria tanto que as pessoas entendessem isso...
Minha visão de amor sempre foi assumidamente idealizada. Daqueles românticos mesmo. O que anda pesando é o caminhar por essa linha tênue entre manter as convicções e acreditar no futuro ou jogar tudo para o alto e refazer os planos. 
Quando falo sobre amor falo sobre projetos planejados, não "puxadinhos". Falo sobre o amanhã, não sobre o ontem. Falo sobre dar exatamente o que recebo, não ficar servindo de estepe. Falo sobre poder ser livre, mas me prender por vontade. Falo sobre ser leve, e saber agir quando não for.
Quando falo sobre amor falo sobre alguém, o que não significa que esse alguém não possa mudar. Quando falo sobre amor falo sobre mudar, e torço para que mude. Quando falo sobre amor falo sobre menos cobrança e mais flores, mas poesia, mais fantasia. Quando falo sobre amor falo sobre menos realidade. Falo sobre a verdade, sobre cumplicidade. Falo sobre laços criados para durar.

Foto: Paulo Dias
Quando falo sobre amor falo sério.
Falo alto.
Falo francamente.
Grito.

Mas as vezes acho que estou falando sozinho...

De todos os clichês do mundo, aquele que fala sobre o poder do tempo é um dos mais batidos, e mais verdadeiros. Deixemos então que o tempo aja. Ele há de agir. E falaremos sobre amor juntos, por ai, mais adiante. Por hora, me reservo no direito de ficar calado. Já falei demais.



13 comentários:

  1. Curti seu texto Paulo,bem escrito,parabéns,gostei mais ainda pois me encontrei nele de certa forma,me vi falando em voz alta algumas frases pois me enquadro nelas! Valeu pela ótima leitura dessa tarde de terça.
    bjus.
    http://delicadavivi.blogspot.com.br/

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    1. Poxa, muito obrigado você por ter visitado e lido Viviana. Fico feliz em saber que outras pessoas se identificam com o que escrevo. Espero que tenha gostado e volte mais vezes ao meu blog ;D Beijão!

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  2. Simplesmente seu texto foi demais. Eu penso da mesma forma que você, e eu achava que eu era a errada* da história por pensar assim, mas com seu texto. Isso mudou. Parabéns!

    Beijos
    http://blogcapturados.blogspot.com.br/

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    1. Debora eu também fico feliz em saber que não sou o único a pensar assim. Muito obrigado pela visita, beijão! :D

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  3. Adorei o texto, me identifiquei muito, tbm sou do tipo que espera um esbarrão, uma troca de olhares, daquelas romanticas mesmo. Parabéns pelo texto, é bom saber que não sou a unica que pensa assim no mundo! :)

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    1. Espero que nosso "um esbarrão, uma troca de olhares, etc" aconteça logo, e que o "destino, vida, Deus, ou seja lá o nome que isso tiver" nos ajude com isso. Beijo Delle.

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  4. Matei a saudade de ler um texto bom! Parabéns cara, simplesmente plausível.

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    1. Poxa Priscieli esbocei um sorriso enorme com seu elogio. Espero que você volte mais vezes ao blog e continue gostando dos textos. Muito obrigado, beijão!

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  5. Quando falo sobre amor falo sério.
    Falo alto.
    Falo francamente.
    Grito.

    Mas as vezes acho que estou falando sozinho...
    O amor é labirinto, não estamos na mesma freqüência mas, quando sussurrar palavras de amor, quem ama ou já amou saberás ouvi-lo mesmo que do outro lado do muro.
    Amor lingua universal.
    Freases trocadas com olhares, toques, sorrisos e planos...
    Olhes bem, ira notar que no amor há muitas companhias.


    Texto que me encheu o peito, parabéns!

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    1. Fico feliz pela sua visita, pelo seu comentário e principalmente por ter gostado Edson. Abração :)

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  6. Meus olhos estao marejados. Belissimo texto. Parabens!

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    1. É muito gratificante saber que o que escrevo emociona outras pessoas, sinal que elas entendem o que quero dizer, ou no mínimo dão uma interpretação própria ao texto. Muito obrigado pela visita Cynthya, beijo. ;D

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  7. Muito bom o seu texto é de uma profundidade e delicadeza fora do comum, parabéns
    http://marceloficaadica.blogspot.com.br/

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