segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Volver


Escrever é basicamente encontrar as palavras certas, ou melhor, deixar que elas te encontrem - a tal da inspiração. Eis-me aqui, confiante de ter encontrado as palavras certas para ter uma conversa com vocês, uma conversa sobre o passado, ou melhor, uma conversa sobre voltar atrás.

Construímos uma vida inteira baseada no que projetamos para nosso futuro. Somos ensinados desde pequeninos a olhar sempre em frente, cabeça erguida, o que passou passou. O que fomos ou fizemos já não interessa mais... será mesmo?

Presente e futuro nada mais são que uma soma de consequências - a curto, médio, ou longo prazo. A verdade é que a vida é muito mais passado que futuro, nós somos mais passado que futuro. E quanto mais futuro nos é dado menos futuro temos, mais passado nos é acrescentado. Porque dar as costas a isso?

Eu costumava esconder minhas fotos antigas, costumava não falar sobre as pessoas com quem me relacionei, costumava evitar lugares que gostava e que hoje não gosto mais. Estava tudo lá, guardado no "bauzinho de coisas que não valem a pena lembrar". Mas aquilo tudo fui eu, aliás, o que sou hoje é consequência do eu mal vestido, cheio de espinhas e com gosto musical duvidoso de seis, sete anos atrás. Fiz as pazes com esse "eu", ele agora é bem vindo em minhas lembranças. Se tem uma coisa que é essencial para que o futuro aconteça é estar em paz com o passado. Ninguém alça voo com as asas presas.

Errar é sempre algo ruim, que nos frustra. Quando estamos determinados a correr em direção ao futuro e algo sai dos eixos, sentimos uma vergonha enorme de admitir que falhamos. Mas gostaria de dizer que não há vergonha nenhuma em voltar, em refazer, em se desculpar. Quase sempre podemos voltar atrás, mas na maioria das vezes ignoramos isso. Nenhum caminho, plano ou decisão é tão irremediavelmente definitivo assim.

Muitas vezes voltar atrás significa abrir mão do tal futuro que projetamos para nós. Toda ação gera reação, e não é possível refazer caminhos sem gerar consequências.  Pensar nisso já nos apavora. É normal, somos programados para ter medo do desconhecido. Mas se a vida é mais passado que futuro, e se o presente é a resposta mais rápida às consequências dos seus atos, para que depositar todas as suas cartas num futuro que pode estar destinado a ser infeliz? Arcar com as consequências da mudança pode ser menos doloroso que a sensação eterna de que poderia ter sido diferente mas não foi. Pior do que falhar é insistir no que não funciona, e se existe uma verdade naquilo a respeito de "pensar no futuro", é que ele é totalmente moldável, muda a todo instante, e nós somos a peça chave desta mudança. Aperte o "play", não se esqueça do "pause" e lembre-se de que existe o "back to", ele poderá ser a resposta às suas perguntas. Não se envergonhe de precisar voltar atrás se isso significar melhorar seu presente. Até porque, de uma forma ou de outra, passado e presente são as maiores certezas da sua vida, talvez esteja na hora de parar e conversar com eles. 

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