sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Entretenimento: Looking


Novo seriado da HBO tem como plano de fundo a vida GLS de San Francisco




Entre o final dos anos 90 e inicio dos anos 2000 dois seriados balançaram a televisão americana (e consequentemente mundial): Sex and the City e Qeer as Folk. Completamente diferentes um do outro, o primeiro tratava da vida de quatro amigas de meia idade em busca da realização profissional e pessoal em Nova York. O segundo mostrava a vida de um grupo de amigos homossexuais de Pittysburgh, suas desventuras amorosas e a luta para ter uma vida o mais normal possível apesar do preconceito. Qeer as Folk é considerada por muitos como a melhor série homossexual já produzida.

(Da esq. para a dir. Augustín, Patrick e Dom)

Quase uma década depois, San Francisco, na Califórnia, é cenário de uma nova série gay: Looking, exibida pelo canal HBO2. O motivo de ter mencionado Sex and the City no inicio desta matéria é que podemos dizer que Looking é um Qeer as Folk "sexandecityzado". Com menos personagens e um número bastante reduzido de cenas de sexo explícito (em relação a QaF), a produção da HBO tenta atrair a atenção do público mostrando como vive um grupo de amigos gays e de que forma enfrentam seus desafios profissionais, amorosos e pessoais.

A história gira em torno dos amigos Patrick (Jonathan Groff), Augustín (Frankie J. Alvarez) e Dom (Murray Bartlett). O primeiro é um designer de games de 29 anos, o segundo um artista de 31 anos e o terceiro, bem mais velho que os demais, é um cozinheiro de 39 anos que tenta dar um novo rumo a sua vida e se livrar dos vestígios de um antigo relacionamento. Augustín morava com Patrick mas resolveu se mudar para a casa do namorado e Dom vive com uma amiga. Em comum, os três estão frustrados com a profissão e em constante questionamento acerca dos relacionamentos amorosos.


Já caminhando para o quinto episódio, Looking se mostra interessante de acompanhar, embora ainda não tenha conseguido mostrar definitivamente a que veio. Provavelmente até o fim da primeira temporada (que terá oito episódios) as histórias já estarão sólidas o suficiente para uma análise mais definitiva sobre o futuro de cada personagem. O cenário GLS - sem todos aqueles clichês batidos - rende muito pano pra manga, só depende do olhar atento dos roteiristas trazer isso em favor da produção. De qualquer forma, é bom saber que, dez anos após Qeer as Folk, um seriado gay ainda consiga chamar a atenção. Estamos "de olho" em Looking.

Looking
(2014/ 1ªTemporada/ HBO2)
Exibido em dias alternados, fique de olho no site da emissora.
Para assistir aos episódios anteriores legendados clique aqui.

5 comentários:

  1. Respostas
    1. Muito obrigado Rafael, fico feliz que tenha gostado ;)

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  2. Looking é uma série boa, tem bons atores e uma locação interessante. Porém, peca exatamente por tentar se livrar de "todos aqueles clichês batidos". Pelo bem ou pelo mal, a vida de um gay é repleta desses "clichês batidos". É inerente à maioria. Não há para onde correr e tentar fugir dessa realidade é um risco muito grande. "Retratar de forma fiel a vida de 3 amigos gays" é o que ouço sobre Looking, mas para falar a verdade, a série não conseguiu estabelecer o que é real e o que não é. Até porque a falta de maquiagem que dê uma luz e um brilho à realidade gay, é um dos maiores pecados da série. Seu protagonista é muito caricato ao tentar ser um "gay diferenciado", muitas vezes ele soa inocente demais, outras vezes é apenas um jovem perdido, porém, aos 29 anos fica complicado acreditar nessa realidade abordada. Um mundo gay é cheio de clichês, que num bom texto renderiam muito mais do que os 4 primeiros episódios mostraram. Espero muito que até o fim das contas, Looking encontre o caminho equalizado entre: glamour, clichê, realidade e reflexão. Assim como vez Sex And The City, que retratou uma realidade com glamour, charme e um belo discurso.

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    1. Interessante seu ponto de vista Deivid. No final das contas quase tudo no mundo gay é meio clichê. Falta a Looking mais brilho realmente, talvez a chave para esse "algo a mais" seja tratar os personagens como personagens mesmo e não como um retrato fiel da realidade. Resta-nos aguardar para ver o que a HBO fará com a série e seus personagens.

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    2. Essa é a questão. Ainda bem que vc entendeu. É preciso ver os personagens como personagens. A identificação tende a ocorrer, isso é natural. Mesmo assim, eu não desgrudo os olhos da série, gosto muito dos atores (excetuando o principal rs). Além de qu HBO é HBO...

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