segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Rabiscos duma segunda-feira chuvosa

Eu sempre fui só mais um dentre as outras seis bilhões, novecentas e noventa e nove milhões, novecentas e noventa e nove mil, novecentas e noventa e nove pessoas. Nunca desejei ser rico, nem famoso, nem popular. Só queria ser eu mesmo de uma maneira que ser eu mesmo bastasse. Aquele tinha tudo pra ser só mais um dia qualquer, duma semana qualquer, dum mês qualquer, duma vida que já andava pra lá de qualquer. A rota já estava traçada, tudo se cumpria previsivelmente. Mas ai aconteceu, você aconteceu. Como uma improvável colisão de partículas que andam sempre na mesma direção e velocidade. Nos chocamos. E eu juro, juro por Deus que não queria ter deixado acontecer, mas foi mais forte que eu. 
Sempre discordei daquele ditado que diz que os opostos se atraem. Talvez até se atraiam mas logo se repelem novamente. É como na matemática, quando um ponto positivo soma-se a um negativo o resultado sempre será negativo. E isso me proporcionava certa conformidade com a solidão. Mas você tinha que ser assim, tão ponto positivo quanto eu, foi incontrolável não sonhar.
Eu escolhi você, e não tem nada a ver com colocar uma aliança no dedo.
Eu escolhi você, e aceito junto todo o seu pacote de defeitos.
Eu escolhi você, mesmo que você tenha escolhido não me escolher.
Nem sei porque ainda insisto em rabiscar palavras tentando descrever sentimentos. Nunca chega nem perto. Mas acredite, alivia. Caso contrário eu já teria explodido. Bum!
Um livro que gosto muito diz que "somos quem somos por uma série de motivos e provavelmente nunca saberemos da maioria deles." Eu provavelmente nunca saberei porque tudo tem que acontecer da maneira mais difícil, mesmo quando as coisas parecem destinadas a dar certo. Assim como nunca entenderei como sempre consigo seguir em frente. Talvez eu seja mais forte do que imagino. É, talvez. 
Somos quem somos por uma série de motivos, por uma série de circunstâncias, por uma série de sentimentos.
Somos quem somos por causa da segunda-feira chuvosa, por causa da melodia desarmoniosa das buzinas dos carros, por causa do cinza da cidade, por causa da inquietude da alma...
Somos quem somos por uma série de motivos, inclusive porque escolhemos ser assim.

É, talvez.

10 comentários:

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    1. Paulinha que bom que voltou a me visitar aqui, andava sumida! Muito obrigado :D

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  2. Seus textos me arrepia!
    Beijos, Paulinho.

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    1. Poxa fico feliz por ouvir isso de uma pessoa tão talentosa quanto você, Pamella! Espero continuar despertando esse sentimento. Beijão querida!

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  3. Muito bom esse texto, Parabéns

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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  4. Sabe, é tão bom ver pessoas que conseguem expressar sentimentos tão lindo e nobres em palavras... Achei magnífico como você descreveu o desejo de ser uma pessoa comum, a questão do "os opostos se atraem". E o mais incrível é que sua opinião se parece muito com a minha.
    Parabéns, continue escrevendo e alegrando o dia de muitos leitores por aí!
    Um abraço,
    Dayenne Vieira.

    http://um-momentoasos.blogspot.com.br/

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    1. Dayenne ficou muito feliz ao ler seu comentário e saber que minhas palavras podem despertar sentimentos bons nas outras pessoas. Espero te ver mais vezes aqui no blog, será sempre bem vinda com sus comentários e sugestões. Um beijo, Paulo.

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  5. Parabéns, texto impecável!
    Não pude lê-lo e me contentar apenas com a leitura. Tive que comentar. Por isso: eis-me aqui!

    Sucesso.

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    1. Muito obrigado Rafa, fico muito contente em te ver por aqui, volte sempre rs :) Sucesso pra ti também!

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