quarta-feira, 24 de julho de 2013

Poema: Eu te amo como amo o outono (parte II)

(Primavera)
Acho que já esgotei minha cota de palavras doces contigo
Não sei mais como me comportar,
Não sei mais o que falar
Nem sei se devo dizer alguma coisa.

(Verão)
Acho que tudo isso ainda é sobre você
Acho que você ainda faz parte disso tudo
De mim, do que sou.
Você ainda é meu tudo
Você ainda é meu
Você ainda é...
ainda é você.

(Outono)
Eu te amo como amo o outono
Não sei se isso vai passar um dia.
Na verdade nem sei se quero que passe.
Talvez seja um estado permanente de solidão
Minha alma aprendeu a viver assim
E sentou na varanda do conformismo
Pra ver a vida passar acenando de longe.

(Inverno)
É só que... é só que...
É só que eu não sou capaz de competir com suas expectativas entende?
Eu não suportaria vê-las destruídas
Para depois te ajudar a catar os cacos
foto: Paulo Dias
E colar o que sobrou.
Sou péssimo em remendar as coisas
Quem dirá sentimentos...

Talvez o amor tenha se esquecido de mim
Talvez eu tenha me esquecido dele
Ou estejamos fugindo em direções opostas.
Me pegue garoto,
Me pegue antes que eu vá longe
Longe demais.

É mais que um estado de euforia passageira
É primavera, é verão, é outono, é inverno
É inferno
É aprender a conviver com eternas reticências
Não acaba só porque termina.
Se esconde no frio,
E reaparece ao primeiro sinal de sol.

É você.
É sobre você.
É pra você.
Sempre vai ser.



Leia também: Poema: Eu te amo como amo o outono (parte I)

4 comentários:

  1. Incrível!!! Você é realmente incrível com as palavras, e me emociono sempre com o que vc escreve. Beeijos da Juh.

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  2. Nossa é lindo!
    Você escreve muito bem, toca na alma! Amo poemas!

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