quarta-feira, 24 de julho de 2013

Poema: Eu te amo como amo o outono (parte II)

(Primavera)
Acho que já esgotei minha cota de palavras doces contigo
Não sei mais como me comportar,
Não sei mais o que falar
Nem sei se devo dizer alguma coisa.

(Verão)
Acho que tudo isso ainda é sobre você
Acho que você ainda faz parte disso tudo
De mim, do que sou.
Você ainda é meu tudo
Você ainda é meu
Você ainda é...
ainda é você.

(Outono)
Eu te amo como amo o outono
Não sei se isso vai passar um dia.
Na verdade nem sei se quero que passe.
Talvez seja um estado permanente de solidão
Minha alma aprendeu a viver assim
E sentou na varanda do conformismo
Pra ver a vida passar acenando de longe.

(Inverno)
É só que... é só que...
É só que eu não sou capaz de competir com suas expectativas entende?
Eu não suportaria vê-las destruídas
Para depois te ajudar a catar os cacos
foto: Paulo Dias
E colar o que sobrou.
Sou péssimo em remendar as coisas
Quem dirá sentimentos...

Talvez o amor tenha se esquecido de mim
Talvez eu tenha me esquecido dele
Ou estejamos fugindo em direções opostas.
Me pegue garoto,
Me pegue antes que eu vá longe
Longe demais.

É mais que um estado de euforia passageira
É primavera, é verão, é outono, é inverno
É inferno
É aprender a conviver com eternas reticências
Não acaba só porque termina.
Se esconde no frio,
E reaparece ao primeiro sinal de sol.

É você.
É sobre você.
É pra você.
Sempre vai ser.



Leia também: Poema: Eu te amo como amo o outono (parte I)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Resenha - O Teorema Katherine

(Eh Kantiano, se te hero me erra!)¹


Esta resenha inteira foi escrita seguindo as estruturas do livro. Notas de rodapé, opções dadas ao leitor e respondidas ali mesmo no parágrafo e uma série de expressão criadas pelo autor. Divirtam-se!

    Assim que terminei de ler A Culpa é das Estrelas² fiquei encantado por John Green. Mas restava saber se: 1) ele era realmente talentoso ou 2) foi só inspiração de um livro só. A resposta só poderia vir de uma maneira: lendo mais obras dele. A julgar por O Teorema Katherine com certeza é a primeira opção. 
   Nosso herói se chama Colin Singleton, um jovem prodígio com muita facilidade em aprender novos idiomas e criar anagramas³. Tem apenas um amigo, Hassan Harbish e um objetivo na vida: ter um momento
"eureca 4" e se tornar alguém importante.
   No campo afetivo Colin é um desastre. Péssimo em fazer amigos, ele mesmo se considera "não gostável". Sua primeira namorada, Katherine, o dispensou após um relacionamento de incríveis três minutos e meio. A partir daí, o jovem colocou um objetivo fixo na cabeça: só namoraria com garotas chamadas Katherine, "e não Katies, nem Kats, nem Kays, nem Kates, nem - Deus o livre - Catarinas. K-A-T-H-E-R-I-N-E." 
   Foram dezenove, isso mesmo, DEZENOVE Katherines, e embora os relacionamentos tenham sido diferentes o final era sempre o mesmo: elas terminavam com ele. Cansado de tanta ilusão e disposto a ter seu momento eureca o mais rápido possível Colin e seu amigo Hassan embarcam numa viagem sem rumo pelo interior dos EUA a bordo de seu velho carro Rabecão. O destino os leva à Gutshot, uma minúscula cidade no interior do Tennessee e lá eles conhecem a jovem  Lindsey e sua mãe Hollis. 
   Nesse meio tempo Colin tem seu momento eureca: irá criar um teorema matemático que poderá prever quando um relacionamento chegará ao fim e quem terminará esse relacionamento usando como base sua extensa lista amorosa. Esse teorema será expresso através de um gráfico onde a linha horizontal começa no Terminante (quem terminou o relacionamento) e acaba no Terminado (quem, digamos, levou o pé na bunda). Se tudo der certo Colin entrará para a história, se tornará importante, terá a atenção de suas Katherines de volta (especialmente da Katherine XIX) e poderá elevar seu status de um simples prodígio para um aclamado gênio. Mas será que o amor é tão previsível assim?
A amizade sincera entre Colin, Hassan e Lindsey é tão gostosa de acompanhar que fica um vazio quando o livro termina. É assim com as melhores obras. O Teorema Katherine é um livro que você começa a ler e não acredita que a história vá o prender, mas prende! Prende tanto que dá até vontade de saber mais sobre os assuntos discutidos no livro 5. John Green escreve uma história muito fugging 6 mesclando matemática complexa, notas de rodapé incríveis e muito humor (sempre característico de suas obras). O jovem autor americano, sem dúvida, está se tornando um dos mais queridos e talentosos da atualidade, palavra de quem ama literatura adolescente.


Colin (à esquerda) e Hassan (à direita)
Os personagens: 
Colin Singleton (nosso protagonista)
Hassan Harbish, (nosso co-protagonista)
Lindsey Lee Wells (amiga de Colin e Hassan)
Hollis Wells (Mãe de Lindsey)
Chase, Fulton e Katrina (amigos de Lindsey)
Katherines (da I à XIX) (ex-namoradas de Colin)
Sr. e Sra. Singleton: pais de Colin
Sr. e Sra. Harbish: pais de Hassan



Frases marcantes do livro:
"Mas Colin sabia que não era isso... Ele simplesmente não era "gostável". Às vezes é simples assim." (pg. 30)

"É possível amar muito alguém, ele pensou. Mas o tamanho do seu amor por uma pessoa nunca será páreo para o tamanho da saudade que você vai sentir dela." (pg. 141)

"Os livros são o melhor exemplo de Terminado: deixe-os de lado e eles o esperarão para sempre; dê-lhes atenção e sempre retribuirão seu amor." (pg. 148)



Sobre o Autor:
John Green é norte-americano, tem 35 anos e mora no estado de Indiana. De uns tempos para cá recebeu atenção especial da crítica por sua maneira divertida e simples de tratar os mais diversos temas em seus livros. Ganhou diversos prêmios, dentre eles a Printz Medal e o Printz Honor. Seus livros mais conhecidos são A Culpa é das Estrelas, Quem é você, Alaska? E O Teorema Katherine. ps: eu leria até a lista de compras de supermercado de Green (leiam A Culpa é das Estrelas e entenderão esta frase).




¹ - isso é um anagrama; mais sobre ele adiante.
² - mais aqui: Resenha - A Culpa é das Estrelas
³ - Anagrama é a reorganização das letras de uma palavra ou frase a fim de formar novas sentenças (com ou sem sentido completo). Colin ama anagramas!
4 - ter uma ideia brilhante de forma inesperada.
5 O livro tem um apêndice muito bom explicando detalhadamente todo o teorema matemático desenvolvido por Colin.
6 fugging é uma palavra muito usada no livro para dar intensidade às cenas. Pode ter sentido bom ou ruim, depende do contexto. É uma releitura da palavra inglesa Fucking, que em português livre significa "foda". Mais sobre isso na pg. 163 do livro.

Fontes:
Em primeiro lugar o próprio livro;
Também a página da editora sobre o livro: O Teorema Katherine (nomes dos personagens, dados e foto do autor)
O desenho de Colin e Hassan foi encontrado no Tumblr, porém o Tumblr não tinha indicação de autor.