quarta-feira, 13 de março de 2013

Conto: Dez "quases"

Andava pela rua, disperso, com o coração apertado e uma alma machucada. As pessoas corriam pra lá e para cá, menos mal, assim ninguém me notava. Estou realmente cansado de ver todos me perguntando "o que há comigo" como se, o fato de eu falar resolvesse alguma coisa. Talvez até resolvesse mas decidi guardar pra mim, mesmo que isso signifique sufocar.
Andava por ai, ouvindo Sober e pensando em como toda aquela letra fazia sentido. E eu queria que não fizesse, queria que fosse apenas um conjunto harmonioso de palavras e sons. Ah! Quem dera. E por mais que eu fuja, isso sempre me persegue... 

Eu quase sai de casa naquele dia, você quase quis que eu saísse
Eu quase montei no meu cavalo, você quase quis que houvesse lugar para dois
Eu quase descobri qual era a torre em que você estava presa, você quase quis me dizer
Eu quase lutei contra o dragão, você quase foi salva
Eu quase te dei um beijo, você quase retribuiu
Eu quase senti algo muito forte, você quase sentiu que era recíproco
Eu quase pedi sua mão a seus pais, você quase disse que sim
Eu quase fui seu príncipe, você quase foi minha princesa
Eu quase disse 'te amo', você quase me chamou de amor.
E a gente quase foi feliz.

Foi por pouco, coisa de segundos, coisa de vontade... vontade de ambas as partes. E eu não consigo parar de imaginar como seria se essa barreira tivesse sido transposta, e eu não consigo parar de imaginar como estaríamos hoje, e eu não consigo parar de ouvir Sober... e eu quero me livrar disso, e eu quero parar de pensar nisso, e eu quero me sentir vivo novamente.
Seremos eternamente culpados por pensar demais, por calcular demais, por agir de menos. Mas eu não a culpo por querer o melhor para você... culpo por não perceber que eu era esse melhor. O seu melhor, o príncipe errado que no final das contas só queria te amar... e ser amado. Perdoe-me se não foi o suficiente.



Sober (tradução)

E eu não sei
Isso pode partir meu coração ou me salvar
Nada é real
Até você deixar isso completamente
Então aqui vou eu com todos os pensamentos que venho guardando
Então aqui vou eu com todos os meus medos pesando em mim
Três meses e eu continuo sóbria
Cortei todas as minhas ervas daninhas mas mantive as flores
Mas eu sei isso nunca vai acabar realmente
E eu não sei
Eu poderia fracassar, mas talvez
No final da estrada eu possa vislumbrar uma parte de mim
Então não me apressarei, eu quero fazer direito
Sem comparação, pensar duas vezes, não, não desta vez
Três meses e eu continuo respirando
Tem sido uma longa estrada sem aquelas mãos nas quais eu deixei minhas lágrimas, mas eu sei
Isso nunca vai acabar realmente, não
Acorde!
Três meses e eu continuo aqui
Três meses e eu estou melhorando
Três meses e eu continuo sendo eu...
Três meses e isso está ainda mais difícil agora
Três meses e eu estive vivendo aqui sem você agora
Três meses yeah, três meses...
Três meses e eu continuo respirando
Três meses e eu ainda lembro disso
Três meses e eu acordei.


5 comentários:

  1. Eu quase choro lendo rsrs to meio sentimental esses dias.
    Parabéns pelo poema, que é lindo mesmo. Você tem veia de poeta !!!
    Abç
    http://descobrindolivros.blogspot.com.br/2013/03/sem-roteiro-releituras.html
    Atualizado. Comenta?

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  2. Ah, se não houvesse a palavra QUASE no meio dos versos... Mudaria completamente o sentido...

    Bjs - Suzana Rosa - www.rosachiclets.com.br

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  3. Vida e seus 'quases'... Incrível esse conto, amei de verdade e me identifiquei muito.
    Parabéns pelas belas palavras <3

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  4. Hoje vejo esses poemas e me lembro daqueles primeiros que vi.. A cada dia melhorando mais e mais... Adoro seus poemas Paulo, por mais que quase nao os vejo hoje em dia!

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  5. Nossa to apaixonada por esse texto... incrível como fazem tanto sentido pra mim..

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