domingo, 20 de janeiro de 2013

Poema: Eternos Dezenove



Quero esta brisa no rosto novamente
Quero me sentir errado, inconsequente
Quero poder ter algo  para me arrepender
Olhar pra trás e não me culpar por viver
Queria ter eternamente dezenove
Quase adulto sem carregar os pesos de tal nome
Sentir intensamente o presente
Quero sonhar, amar, tenho sede, tenho fome

Mas sinto que tal vitalidade escorre de mim
é como se tivesse um corte em meus pulsos
Sou jovem demais pra ser adulto
Mas preciso seguir meus caminhos, definir meus cursos
Queria ter eternamente dezenove
Sentar pra escrever meu futuro sem pressa
Desbravar mundos desconhecidos
Virar na próxima travessa

Sei que estou fadado a encarar a realidade
Mas por hora não vejo tal necessidade
Depreendo que posso viver tudo o que acredito
Pintar este mundo preto e branco, deixar tudo mais colorido
E todas as músicas, e todas as poesias
e todos os momentos e todas as agonias
e todas as amizades e todas as teimosias
e todos os planos e todas as ousadias
Tudo será apenas lembrança um dia...

Mas que em cada nota deste passado cantado
se encontre um pedaço do que almejei ser
E que eu olhe para tais lembranças
Sem  nunca me esquecer
Que não importa o que digam, sou infinito
Mesmo preso ao sistema, perdido no labirinto
Mesmo sufocado, mesmo amargurado
Mesmo tarjado como louco, enjaulado
Fui quem eu quis ser, o garoto dos eternos dezenove.

ps: e que mesmo daqui a cinquenta anos estes versos ainda façam algum sentido.


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