quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Hora de descansar



Feliz Natal a todos! Obrigado a vocês que sempre visitam o blog, gostam dos meus textos e curtem minhas dicas de livros, filmes e seriados. Darei  uma pausa em Janeiro para aproveitar as férias mais voltarei com tudo em fevereiro cheio de conteúdo legal. Tenham todos um excelente final de ano e que venha 2014!


Abaixo tem um pequeno curta-metragem para que relembremos momentos marcantes deste ano incrível. O vídeo é baseado no livro/filme As Vantagens de ser Invisível. Espero que gostem.

Com amor, Paulo.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Especial: Jovens Escritores - Você ainda ouvirá falar deles*

Desafios e prazeres de se lançar um livro antes dos 21


Um dos ditados populares mais famosos do mundo diz que antes morrer todo ser humano precisa “plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro”. Já que a ordem dos fatores não altera o produto final, fui conhecer três jovens que resolveram começar pela parte do livro e acabaram de lançar sua primeira obra. Eles me falaram sobre a paixão pela leitura e pela escrita, o desafio de ingressar tão jovem na carreira de escritor e é claro sobre a história de seus livros.
Pedro Guerra tem 21 anos, é gaúcho de Caxias do Sul e matou a Rainha da festa da uva. Daniele Nhasser tem 21, é do interior de São Paulo e tentou fazer Mariana voltar a acreditar no amor. A paulistana Larissa Sposito tem apenas 17 e nos convida a conhecer o fantástico mundo de criaturas sobrenaturais. Está confuso? Explicarei uma história por vez.





















Custos
Existem algumas maneiras de realizar o sonho de publicar um livro. Os métodos mais tradicionais são: através de uma editora (para isso ela precisa gostar do livro e financiá-lo) ou pagando todo o processo com investimento próprio (o que é bastante caro). Larissa conseguiu publicar seu livro através da editora Martins Fontes “eles acreditaram no meu potencial e apostaram em mim no sentido de uma parceria, ou seja, eles bancariam os custos do livro e em troca eu traria uma visibilidade maior pra editora.
Daniele, por outro lado, não conseguiu o apoio de nenhuma editora e teve de arcar com os custos de seu sonho “juntei dinheiro por aproximadamente dois anos e com a economia resolvi bancar a publicação de meu primeiro livro”.
No entanto existem outras ferramentas menos conhecidas para quem sonha em ter seu livro publicado, como por exemplo, os sites de crowdfunding (financiamento coletivo). Neste modelo, a pessoa inscreve o projeto no site, diz quanto precisa para realiza-lo e pede doações aos usuários. Caso a meta seja batida, o dono do projeto compromete-se a dar um presente a cada um dos que o ajudaram. Tal presente é previamente combinado, quanto melhor o presente mais chances de o projeto captar o dinheiro necessário. O maior site de financiamento coletivo ativo no Brasil é o Catarse. Uma quarta maneira de conseguir recursos para a publicação do livro é através de ações de incentivo municipais, geralmente promovidas pelas secretarias de cultura regionais. Foi assim que Pedro conseguiu realizar seu sonho: “Inscrevi meu projeto no Financiarte, que é um fundo de cultura da prefeitura de Caxias do Sul. Tive que fazer um projeto bem burocrático, com orçamentos, fornecedores e justificativas do porquê merecer. Foram mais de 80 páginas de projeto protocolado que também contou com meus documentos e portfólio. Eles o aceitaram , fui contemplado com uma verba X e a partir disso pude publicar o meu livro.

Desafios
Apesar dos perfis completamente diferentes de Pedro, Daniele e Larissa, numa coisa eles concordam: é muito difícil viver da literatura, principalmente no Brasil. “O mercado editorial brasileiro não é fácil, muitas vezes o jovem autor tem que pagar o valor de um ‘carro’ pra conseguir publicar um livro e corre o risco de ficar com aquela quota enorme de livros inúteis em casa por não ter público que os compre”, desabafa Larissa. Daniele acrescenta mais um fator: “tem a questão de que muitos têm o preconceito com livros nacionais por acreditar que livros de fora são melhores, o que dificulta as coisas”.
Mesmo com esses desafios eles não dão sinal de desânimo. Se vale a pena? Pedro responde: “Sim, este é o meu sonho! Qualquer sonho vale a pena. Estou me esforçando para dar uma nova cara a literatura”.
E é essa a nova geração de jovens escritores brasileiros, a geração dos que lutam diariamente para ver sua ideia acontecer, para ver suas histórias atravessarem o país através de um bloco de papel impresso e conquistem as pessoas.



*Reportagem originalmente escrita para a Revista Riviera, edição de Dezembro/2013

domingo, 8 de dezembro de 2013

Poema: Dance Comigo


Escute a melodia que invade meu coração
Teu sorriso tem som de música
Sinto seus lábios tocando os meus
E meus pés lentamente deixando o chão.
De olhos abertos estou dançando sozinho
Se os fecho estou valsando contigo.
Contido.
Há algo em você garoto
Que me faz acreditar
Que talvez não seja só coisa da minha cabeça
Não dessa vez.
E eu esperei minha vida inteira por isso
Para tê-lo comigo, pra te completar
E para que juntos nos desintegrássemos em notas harmoniosas
A vagar por ai, mar-em-mar, mar-em-mar.
Dance comigo.
Estou de olhos fechados
E de coração aberto
Pra receber o teu sim.
Há algo em você garoto
Que me faz confiar
Que talvez não vás embora
Mesmo podendo partir.
Talvez você fique...
Fique por ter encontrado um melhor amigo.
Fique por querer ficar comigo.
E eu esperei minha vida inteira por isso.
Por alguém que fique por querer ficar.
Há algo em você garoto
Que me faz acreditar
Que eu talvez tenha encontrado essa pessoa.
Ainda é cedo, tão cedo que não é possível ver o sol
Mas ele está lá
Há de nascer.
E eu,
Eu ainda estou calculando as consequências
De chamar isso de amor...
De pagar o preço.
Por enquanto...
Apenas dance comigo
Que eu esperei minha vida inteira por isso.



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Crítica - Blue Jasmine

Blue Jasmine é o nome do novo filme do aclamado diretor Woody Allen. A história, protagonizada por Cate Blanchett, nos apresenta Jasmine, uma madame casada com um bilionário e que nunca se interessou em saber de onde saia o dinheiro do marido, Hal. Resultado: ele estava envolvido em fraudes, é descoberto pelo governo e tem todos os bens apreendidos. Jasmine se vê na mais completa miséria e é obrigada a se mudar da rua mais glamourosa de Nova York para morar de favor na pequena casa da irmã, Ginger,  num bairro classe média baixa, em São Francisco.
 Parece apenas um clássico roteiro de madame que perde tudo, vai conviver com os pobres e aprende a valorizar a família e as pequenas coisas da vida. Mas não se esqueçam que estamos falando de Woody Allen, portanto nada é tão simples assim. Mesmo na mais absoluta miséria, Jasmine - que nasceu Jeanette - não abandona a soberba e a mesquinha da época de bilionária. Embora não tenha mais um tostão sequer, continua a desprezar  a irmã que lhe deu abrigo e todos com quem convive. Prestar  atenção nas contradições entre a irmã pobre e a rica e o marido da rica e o da pobre é um dos exercícios mais interessantes para quem assiste ao filme.
Se eu tivesse que descrever Blue Jasmine em uma única frase creio que seria: "Uma crônica sobre a decadência". E quando digo decadência não me refiro apenas à financeira, mas também moral, sentimental e psicológica. A personagem criada por Allen é tão intensa que se auto destrói com a mesma veracidade com que tenta se reerguer. O que nos ajuda a chegar a esta conclusão são os inúmeros flashbacks utilizados pelo diretor para nos apresentar a vida de Jasmine antes da miséria e como ela chegou àquela situação.
Jasmine (a esquerda) e Ginger
Cate Blanchett está impecável no papel - não é à toa que a favorita ao Oscar de Melhor Atriz em 2014. Acompanhar a derrocada da personagem intercalada a flashbacks nos permite perceber o quanto Cate muda, inclusive fisicamente, de acordo com a situação emocional de Jasmine. 
Sem dúvida este é o melhor drama de Allen desde Match Point, de 2005, (Meia-Noite em Paris não é drama, que fique claro), e serve para trazer o diretor novamente a solo americano depois de anos filmando na Europa. 
Há muito mais poeira por debaixo do tapete de "Blue Jasmine" do que o apresentado nas linhas acima. Mas contar seria estragar a surpresa. Apenas adianto que um bom filme de Woody Allen merece um final a la Woody Allen, estejam preparados.

nota 03/03/14: Conforme especulado acima, Cate ganhou o Oscar de Melhor Atriz por sua atuação.

Filme: Blue Jasmine
Direção e Roteiro: Woody Allen
EUA/2013
Elenco: Cate Blanchett (Jasmine), Sally Hawkins (Ginger), Alec Baldwin (Hal) e Bob Cannavale (Chili).

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Resenha - Cidades de Papel

Ao que parece, além de John Green ser um dos autores mais adorados pelo público jovem americano atualmente, ele também conquistou os brasileiros. Prova disso são as listas de livros mais vendidos no momento: três, dos quatro livros do autor publicados em português estão no top 10. Cidades de Papel é o mais novo a chegar ao mercado, lançado em Agosto pela Intrínseca. O livro é o mais vendido atualmente na categoria "ficção". Por que de tanto sucesso? Vamos tentar entender...
Cidades de Papel conta a história do jovem Quentin Jacobsen, ou simplesmente Q, garoto do último ano do ensino médio que sempre foi apaixonado pela bela e misteriosa vizinha e colega de classe Margo Roth Spielgman. Como também acontece nos demais livros de Green, nosso protagonista é pouco popular, pouco chamativo fisicamente e não faz questão que notem sua presença. "Eu sempre gostei disso: eu gostava da rotina. Gostava de sentir tédio. Não queria gostar, mas gostava", narra nosso protagonista. Q tem dois amigos inseparáveis: Ben e Radar, ambos estudam juntos.
Apesar de serem vizinhos, Q e  Margo não se falam desde os sete anos. Até que, em uma bela madrugada, a garota pula a janela de seu quarto e o convoca para uma aventura de vingança que durará a madrugada inteira. Após exitar por um momento, ele aceita o convite. Os dois colocam em prática um plano de 11 fases onde Margô "acerta uns ponteiros do passado com algumas pessoas". Apesar de apavorado, Q acaba contagiado pela adrenalina e ao final da madrugada faz o balanço final dizendo ter vivido a melhor noite de sua vida. "E comecei a sentir que o mundo estava fora de ordem, embora não soubesse de imediato o que estava diferente", nos conta ele.
Plano concluído, os dois voltam para casa. No dia seguinte, Q vai ao colégio acreditando que tudo mudará na sua relação com a amada, afinal ele a ajudou mesmo correndo vários riscos. Mas eis que algo acontece: Margo simplesmente desaparece. Q fica desesperado mas aos poucos começa a juntar pistas que a garota deixou para trás e formula possíveis rotas de para onde ela possa ter ido. Após se convencer e convencer a todos que ela quer que ele a encontre, Q parte para uma excursão de carro atravessando os EUA em busca da amada. Se juntam a aventura Ben, Radar e Lacey (ex melhor amiga de Margo). A resposta para todo esse enigma está nas Cidades de Papel*, que são cidades que não existem fisicamente, apenas nos mapas. Margo era apaixonada por cidades de papel. Como procurar por lugares que não existem? Como encontrar alguém que as vezes dá a entender que não quer ser encontrada? Como terminará tudo isso? Só lendo para saber as respostas. 
AVISO: você só entenderá esta imagem após ler o livro
Cidades de Papel não é o melhor livro de Green, mas está longe de ser ruim. As cem primeiras páginas são tão intensas que podem facilmente ser lidas de uma vez só. Caraterísticas de outras obras de Green como piadas nerds e algumas frases que nos fazem refletir continuam presentes. De todo o conjunto da obra o final talvez seja o que mais decepcione, não por ser ruim, mas por não ter recebido o tratamento adequado que merecia. Mesmo assim é um livro interessante que vale a leitura!
Aos fãs de Green uma boa notícia: seu livro mais famoso, A Culpa é das Estrelas, está virando filme e já tem data de estreia nos cinemas: 6 de junho de 2014. Alguma dúvida que estaremos todos lá?


Livro: Cidades de Papel (Paper Towns)
Autor: John Green
Pais: EUA/2013
Editora: Intrínseca
366 páginas

Leia também:
Resenha de A Culpa é das Estrelas
Resenha de O Teorema Katherine

*Uma Cidade de Papel é uma cidade que foi colocada num mapa porém não existe de verdade, ou seja, é apenas um nome. É um recurso que foi muito utilizado por empresas produtoras de mapas para enganar e desmascarar possíveis concorrentes que plagiassem seus mapas. Hoje em dia, com a popularização da internet e de GPS quase não se fazem mais mapas de papel, por isso a criação de Cidades de Papel caiu em desuso.

domingo, 17 de novembro de 2013

Sessão nº 02

Posso me sentar na poltrona hoje? É que não melhorei muito desde nossa última sessão e sinto que se me deitar no divã corro o sério risco de engasgar com sentimentos entalados. Não está funcionando doutor, os remédios que o senhor me receitou não estão fazendo efeito. Estou tentando praticar a positividade, e devo dizer que por um período considerável obtive sucesso.
Mas eles sempre voltam, aqueles sentimentos ruins. Sim, eu sei o que preciso fazer para afastá-los, mas não aja como se fosse fácil. Me desculpe, não foi minha intenção dizer isso. É só que... é só que, tem dias em que sou tomado por uma raiva absurda sabe? Caramba, tudo o que eu queria é que as coisas fossem mais simples, pelo menos uma vez. Eu não pedi para ser do jeito que sou, para falar a verdade se houvesse uma maneira de mudar isso esteja certo que eu o faria. Mas não há. É tão arbitrário não acha? Quer dizer... a gente simplesmente nasce assim e pronto. É como se nos entregassem um quebra-cabeças de um milhão de peças e dissessem: “Pronto, se vira!” Ai eu questiono: “Mas porque meu quebra-cabeças as vezes parece ser bem mais difícil que o das outras pessoas?”. Deve ser porque nunca fui bom com lógica...
Ainda está acompanhando meu raciocínio? A propósito, precisa parar de me receitar aquele comprimidinho azul, ele me deixa lesado. Onde eu estava? Ah , sim! Continuando...
É confuso demais para mim ser assim simplesmente porque sou assim. Detesto – é bom que o senhor tenha entendido perfeitamente o grau de ênfase que dei nesta palavra – Detesto sentir que estou perdendo o controle. Aliás, detesto aqueles momentos em que percebo que na verdade nunca estive no controle.
Minhas mãos estão suando, e ando tendo uns tiques bem inconvenientes sabia? Precisamos descobrir a causa disso. Sim, parei de fumar e ando maneirando na bebida. Eu sei, eu sei, nada de álcool. Mas se o senhor fosse eu, com essa bagunça inteira aqui dentro, garanto que só andaria bêbado. Sou um vencedor neste aspecto, acredite.
Falar sobre o que? Ah, claro, sobre relacionamentos. Essa é uma questão complicada – pra variar. Eu só queria que gostassem de mim do jeito que sou entende? Sim, eu tenho noção do quanto isso é clichê. Mas é que já mudei tanto para tentar agradar os outros que acabei perdendo a minha identidade. Estou recuperando-a aos poucos. Sou um cara legal sabe? Nenhuma pessoa extraordinariamente fascinante, ou complexamente divertida. Sou só... eu. Queria poder mostrar mais desse “só eu”, mas admito que não há muitas pessoas dispostas a arriscar essa possibilidade. Também não quero favores, caridade. Amor não se mendiga doutor, ou é dado livremente ou nem vale a pena ter. 
Me acha uma pessoa legal? Ah, obrigado. O senhor também é. Voltando...
Imagine a confusão que é quando a minha parte inconformada por ser do jeito que sou encontra com a minha parte frustrada sentimentalmente. Sim, sai de baixo! Sinceramente, não acredito que pessoas como eu – e o senhor entendeu o que quero dizer por "pessoas como eu" – tenham relacionamentos duradouros. Estou enganado? Me dê um exemplo que prove o contrário. Pois é, isso é bem polêmico. Mas é a verdade. E eu quero ter um relacionamento duradouro. Mas como? Espero que nossas sessões me ajudem a encontrar a resposta.
Quer a verdade? A verdade é que já não me acho capaz de conquistar alguém. Boicoto as coisas mesmo sem querer. Já penso em como será o fim daquilo que sequer começou.
Se já cheguei a pensar diferente? Acho que sim, algum tempo atrás. Mas o tempo vai abrindo os nossos olhos, e nem sempre nos prepara para o que vamos enxergar. Talvez eu não estivesse preparado. Agora tenho que aprender a lidar com isso.  Acredite, estou tentando.
Quanto tempo ainda temos? Quinze minutos? OK.
Quer que eu fale sobre ele? Não há muito o que dizer. Já expliquei o que penso sobre amor alguns minutos atrás. Nem tudo depende só da gente, e isso geralmente ferra tudo. Acha mesmo? Talvez sim, quem sabe. Não tinha parado para pensar nisso. Vamos esperar não é? Talvez nas próximas sessões eu possa dizer se estava certo ou errado.
Bem, acho que gostaria de usar meus últimos dez minutos para me deitar no divã. Já estou aliviado o suficiente para isso. E ele é tão confortável. Posso? Ah obrigado, o senhor é muito gentil. Não eu não quero falar mais nada por hoje, já disse até demais. Vamos só ficar em silêncio um pouco está bem? Vou colocar uma música para tocar. Gosta de Alanis Morissette? That I would be Good? Acho que tem a ver com o momento. Ótimo.  Sabe Marcos, ainda acredito, lá no fundo, que as coisas irão se ajeitar. That I would be Good doutor, that I would be good...

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Rabiscos duma segunda-feira chuvosa

Eu sempre fui só mais um dentre as outras seis bilhões, novecentas e noventa e nove milhões, novecentas e noventa e nove mil, novecentas e noventa e nove pessoas. Nunca desejei ser rico, nem famoso, nem popular. Só queria ser eu mesmo de uma maneira que ser eu mesmo bastasse. Aquele tinha tudo pra ser só mais um dia qualquer, duma semana qualquer, dum mês qualquer, duma vida que já andava pra lá de qualquer. A rota já estava traçada, tudo se cumpria previsivelmente. Mas ai aconteceu, você aconteceu. Como uma improvável colisão de partículas que andam sempre na mesma direção e velocidade. Nos chocamos. E eu juro, juro por Deus que não queria ter deixado acontecer, mas foi mais forte que eu. 
Sempre discordei daquele ditado que diz que os opostos se atraem. Talvez até se atraiam mas logo se repelem novamente. É como na matemática, quando um ponto positivo soma-se a um negativo o resultado sempre será negativo. E isso me proporcionava certa conformidade com a solidão. Mas você tinha que ser assim, tão ponto positivo quanto eu, foi incontrolável não sonhar.
Eu escolhi você, e não tem nada a ver com colocar uma aliança no dedo.
Eu escolhi você, e aceito junto todo o seu pacote de defeitos.
Eu escolhi você, mesmo que você tenha escolhido não me escolher.
Nem sei porque ainda insisto em rabiscar palavras tentando descrever sentimentos. Nunca chega nem perto. Mas acredite, alivia. Caso contrário eu já teria explodido. Bum!
Um livro que gosto muito diz que "somos quem somos por uma série de motivos e provavelmente nunca saberemos da maioria deles." Eu provavelmente nunca saberei porque tudo tem que acontecer da maneira mais difícil, mesmo quando as coisas parecem destinadas a dar certo. Assim como nunca entenderei como sempre consigo seguir em frente. Talvez eu seja mais forte do que imagino. É, talvez. 
Somos quem somos por uma série de motivos, por uma série de circunstâncias, por uma série de sentimentos.
Somos quem somos por causa da segunda-feira chuvosa, por causa da melodia desarmoniosa das buzinas dos carros, por causa do cinza da cidade, por causa da inquietude da alma...
Somos quem somos por uma série de motivos, inclusive porque escolhemos ser assim.

É, talvez.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Crítica - Gravidade

Impossível não ficar tentado a assistir Gravidade após ler as inúmeras críticas positivas ao filme. Neste fim de semana fui conferir a produção dirigida pelo mexicano Alfonso Cuarón, em 3D. 
Com o auxílio do 3D mergulhamos na aflitiva aventura do experiente astronauta Matt Kowalski (Geoge Clooney) e da engenheira espacial Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) que, após terem sua nave atingida por uma chuva de destroços espaciais, se veem a deriva no espaço. E quando digo "à deriva" estou falando de forma literal, à deriva pela imensidão azul sem gravidade portando apenas suas roupas especiais de astronauta e um restinho de oxigênio. Passamos a perceber então o quão instável é o ambiente fora do Planeta Terra.
O que segue-se pelos próximos 70 minutos é uma sequencia de cenas intercaladas entre o silêncio absoluto e barulho intenso. Aliás, a exploração do silêncio para transmitir emoção é um dos pontos chave desta produção. Créditos para Steven Price, o responsável pela trilha sonora.
A fotografia, assinada pelo experiente Emmanuel Lubezki (A Princesinha, O Novo Mundo, e A sua mãe Também) é um show à parte. Algumas cenas do nosso planeta visto sob o olhar dos personagens são de tirar o fôlego.
George Clooney é o alívio cômico da história (talvez um pouco acima do tom). Sua maior missão é tentar fazer com que Ryan não perca as esperanças de sair viva da situação (o que aquela altura parecia improvável). Clooney sai de cena antes da metade do filme, passando para Bullock a missão de carregar sozinha  a história rumo a um desfecho. E ela se sai muito bem! 
George Clooney em Gravidade
Aclamado pela crítica e sucesso absoluto de público, Gravidade já é praticamente garantido em pelo menos duas categorias no Oscar 2014: Melhor Diretor (Alfonso Cuarón) e Filme do Ano. Isso sem contar as prováveis indicações nas categorias técnicas. Quem sabe não rola até uma indicação para Bullock? Ela merece. Resta-nos esperar até 16 de janeiro, quando sairá a lista oficial dos indicados.
Gravidade pode ser considerado uma experiência cinematográfica completa. Cuarón consegue puxar o expectador para dentro da história, o clima permanente de tensão te faz perder o ar junto com os personagens e querer agarrar qualquer coisa estável quando os personagens tentam fazer o mesmo. Esta é uma das raras ocasiões em que a tecnologia 3D é fundamental para mergulhar no filme, porém, se não tiver acesso a ela assista em 2D mesmo, afinal, conforme bem disse a personagem de Sandra Bullock no filme: "De qualquer forma será uma experiência incrível!"

Confira abaixo o trailer do filme:



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Poema: Universo Particular

'A Lua' (1928), Tarsila do Amaral

Em uma página em branco
ele desenhou o nascer do sol do jeito que queria que fosse
colou no tronco da árvore
e ficou ali apreciando sua paisagem artificial.

No chão de concreto
pegou um pedaço de giz
desenhou flores e grama do jeito que queria que fossem
e ficou ali deitado sobre seu gramado artificial.

Na parede suja de seu quarto 
desenhou um coração
e dentro dele colocou as fotos dos que queria que ali estivessem
e ficou admirando seu enorme coração artificial.

Antes de deitar em sua cama pequena e de colchão duro
desenhou no teto todas as estrelas que conseguiu desenhar

e passou o resto da tarde ali, 
fitando seu universo particular.

Saiu até o lago mais próximo
com uma vara e um anzol na mão.
Se prostrou na beira do rio 

e atirou a linha o mais longe que conseguiu.

De isca usou o que de mais doce tinha,
um restinho de subjetividade empoeirada sob camadas de frustração.
Ficou ali, imóvel por horas
tentando capturar qualquer coisa que tornasse a realidade mais palpável.

Quando sentiu a linha puxar,
agarrou-a com força e deu um tranco para trás.
O que quer que ele houvesse figado puxou com tanta força
que o derrubou no rio.

Um rápido agito.
Três suspiros.
Calmaria...
Não havia mais artificialidade.



observação: Quem é o menino? O que representam a vara e o anzol? O que representa o lago? Fica no ar para reflexão. O quadro escolhido para ilustrar esses versos é da pintora brasileira Tarsila do Amaral e chama-se 'A Lua'.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Poema: Devaneios


Campo de trigo com corvos (Van Gogh)
Escrevo para aquietar a alma
escrevo pra camuflar a covardia 
e escondê-la entre versos
reversos.
Escrevo mesmo prometendo não fazer mais aquilo
aquilo de te usar
como matéria prima dos meus devaneios.
me desculpe,
eu fiz de novo.
Ei garoto sonhador
de sorriso largo
e espírito aventureiro
só queria que o mundo te enxergasse como te enxergo
te acalentasse
e abraçasse o que tens a dizer.
Ei menino dos olhos brilhantes
há alguém capaz de entender suas loucuras
de provar suas doçuras
e fazer da desesperança coisa do passado.
Não que...
Mas é...
Talvez seja.
Por isso sussurro entre um verso e outro
que estarei sempre aqui
caso decida olhar com um pouco mais de carinho
para essa possibilidade.
Aqui, entre um verso e outro
na esquina de duas estrofes, 
onde o sonho debocha da realidade
e usa-se a tristeza para fazer rima
Se anima!
Aqui esperando você
para colocar um título nesta história
e botar ordem na vida
ou
quem
sabe
bagunçar tudo de vez.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Resenha - Morte Súbita

"Escolher é algo perigoso: quando escolhemos, temos que abrir mão de todas as outras possibilidades."

Quando terminou a saga Harry Potter, J.K. Rowling tinha um desafio pela frente se quisesse manter sua bem sucedida carreira de escritora: mostrar que tinha talento para ir muito além de somente escrever sobre um mundo mágico habitado por bruxos e seres espetaculares. Eis que veio Morte Súbita, primeiro livro realmente adulto da autora inglesa. Será que ela havia conseguido? Depois de uma leitura demorada (são mais de 500 páginas) pude ter certeza que sim, ela havia conseguido.
A história é bastante complexa para ser resumida, mas tentarei: imaginem uma geografia espacial da seguinte maneira: há uma cidade grande (Yarvil) e ao seu lado um vilarejo emancipado (Pagford). Entre Yarvil e Pagford há uma colina. Eis que os moradores mais pobres de Yarvil, cansados de serem ignorados pela administração local, invadem a tal colina e começam a formar o que chamamos vulgarmente no Brasil de favela (Fields, no caso). O problema maior começa quando a favela cresce muito rapidamente e os
moradores do local, sem nenhum tipo de saneamento básico, começam a  buscar serviços como saúde e educação no vilarejo de Pagford. Surge uma briga: Pagford não quer pagar impostos para manter estrutura para seus cidadãos e também para os cidadãos de Fields (que tecnicamente são responsabilidade de Yarvil). Dentro do vilarejo surgem dois grupos: os pró-Fields, que defendem uma solução passiva e gradual para o conflito, e o anti-Fields, que defendem a expulsão imediata de qualquer vestígio de Fields na vida de Pagford.
O lider pró-Fields, Barry FairBrother, foi morador da favela quando pequeno e é a prova viva que investir nos mais pobres gera resultados positivos. Do outro lado, o líder anti-Fields, Howard Mollison, defende que "pau que nasce torto morre torto" e que Fiels é um lugar sem salvação, povoado por drogados, prostitutas e tudo de ruim produzido pela sociedade. A briga parece boa, principalmente porque os dois são membros influentes do conselho local (espécie de vereadores aqui no Brasil) - sendo que Howard é o líder do Conselho e Barry o conselheiro mais popular. Tudo muda quando Barry, numa noite qualquer, sofre um aneurisma cerebral e simplesmente... morre. O pilar que segurava de igual para igual o peso do edifício desabou. E agora? O que será dos pró-Fields e principalmente dos moradores da comunidade? Só lendo para saber.
O jogo político entre prós e anti-Fields se esquenta ainda mais por um motivo: com a morte de Barry, a cadeira dele no conselho fica vaga, à disposição de um novo conselheiro - o que chamamos de vacância - (daí o nome original do livro, The Casual Vacancy). Candidatos para ocupá-la surgirão aos montes, talvez alguém consiga restabelecer a briga comprada por Barry e  fazer as coisas se igualarem novamente... será?
Morte Súbita é uma verdadeira aula de como se fazer uma boa narração. Apesar de ter muitos personagens - cerca de trinta - as histórias fluem igualmente, sempre amparadas a lembrança do falecido Barry. O livro não alivia em momento algum, é violento, angustiante e tem um final bastante reflexivo (já adianto que nada feliz). Alguns personagens chamam mais atenção que outros (eu, particularmente, me apaixonei por Krystal e por Samantha), mas a verdade é que todos tem algo a contar... e a esconder. Em Morte Súbita tudo parece ser bastante provisório e instável, principalmente as aparências. 
Creio que a principal mensagem que Rowling quis passar com a obra é o quanto a sociedade consegue se fazer de cega diante das necessidades dos que estão à margem, e que muitas vezes é necessário que uma tragédia aconteça para que as pessoas escolham, enfim, abrir os olhos e fazer algo. É um livro excelente que merece sua atenção.

Principais personagens:

Barry Fairbrother e sua esposa Mary Fairbrother.
Howard Mollison e sua família (sua esposa Shirley Molisson, seu filho o advogado Miles Molisson, e Samantha Molisson, esposa de Miles)
Parminder e Vickam Jawanda (casal de médicos, pró-Fields, têm alguns filhos, a que tem relevância para a história se chama Sukhvinder)
Terri, Krystal, Cath e Robbie Weedon (família completamente desestruturada moradora de Fields. Cath é avó de Terri, que é mãe da adolescente Krystal e do pequeno Robbie. Terri é viciada em heroína e vive entre a crise e momentos de recuperação)
Simon, Ruth e Andrew Price (Simon é um operador de máquinas que está interessado na vaga do conselho, Ruth é enfermeira e Andrew é o filho adolescente do casal)
Colin, Tesssa e Stuart Wall (São pró-Fields, Colin é diretor do colégio local, Tessa é sua esposa  e orientadora vocacional e Stuart - mais conhecido como Bola - é seu filho adotivo adolescente e problemático)
Kay e Gaia Bawden (Kay é a assistente social que cuida da família Weedon e Gaia é sua filha)
Gavin Hughes (melhor amigo do falecido Barry, trabalha com Miles e tem um caso amoroso com Kay)

Dados do livro:
Nome: Morte Súbita (The Casual Vacancy)
Autora: J.K. Rowling
Ano: 2012/ ING
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 501

Algo a mais: Quem termina de ler Morte Súbita fica com um questionamento na cabeça: "Caramba, esse livro daria um ótimo seriado de televisão!" Pois bem, a BBC adorou a ideia e comprou os direitos da obra para fazer uma adaptação à TV. Os trabalhos de roteirização já começaram e é provável que a série estreie já em 2014.

Fontes:
Em primeiro lugar o próprio livro.
Imagens:  Capa e Foto da autora
Informação de que o livro virará seriado: Portal IG

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

CAIO

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos
"Foi como mergulhar naqueles olhos sabe? Lembro perfeitamente como me senti, planando naquela íris ora azul ora esverdeada. Ele também me fitou, não deve ter achado muita graça nos meus olhos, tão simplesmente castanhos... "

Neblina e Sombras
"Me sentia um náufrago naquele imenso salão escuro, aquela música ensurdecedora com letras falando sobre nada e coisa nenhuma... Nem sei porque aceitei ser arrastado pra'quele lugar. Talvez seja para que, da próxima vez, eu possa dizer que não quero ir e argumentar que 'já conheci' e não gostei. Sai dali, precisava de ar. Sentado na Praça da República olhava para o luar, noite quente de verão tropical. De repente o observo na porta da danceteria, e ele estava olhando para mim. E se aproximando. Mãos soando. Não tenho o dom natural da conquista, devo estar particularmente ridículo..."

Meia-Noite em São Paulo
"E ai estávamos bebendo e gargalhando na Vila Madalena /Corta / E ai estávamos correndo pela Avenida Paulista cantando em alto tom a letra de Heroes/ Corta / E ai estávamos deitados no gramado do Ibirapuera observando as estrelas / Corta / E ai estávamos clandestinamente no topo de um edifício da Bela Vista observando aquele mar de luz e sombras/ Corta / E ai começou a chover - adoro clichês quando eles vem no momento certo/ Corta / E ai nos beijamos."

Desconstruindo o Caio
"Me sentia levemente desconcertado. Aquele inspirar-respirar pertinho dos meus ouvidos. Aquele cheiro de perfume caro, amadeirado. Aquela língua dentro da minha boca foi uma das sensações mais estranhas que já senti. E estava gostando."

Blue Jasmine
"Que loucura! Como pude ir contra todos os princípios que sempre defendi, de fazer as coisas com calma, ao sabor do acaso? Foi tudo por água abaixo! Já estava na cama, de edredom branco, algodão macio, travesseiros com fronhas cor pêssego. Me sentia um delinquente, burlando todo o código de ética e moral que havia escrito como roteiro de vida. Mas aqueles olhos, ah, aqueles olhos não me deixavam pensar. E o sorriso? Cabia o mundo inteiro dentro daquele sorriso, eu queria fazer de lá a minha morada. Quanto ao código? Queimava a medida que íamos tirando a roupa... mas quem estava em chamas era eu."

O Sonho de Caio
"Sete e meia da manhã. Com certa dificuldade abri os olhos. O outro lado da cama estava vazio. Por eternos segundos me pergunto se tudo não havia passado de um sonho. Encosto a cabeça no travesseiro ao lado do meu. Sinto o cheiro do perfume amadeirado. Só o perfume havia ficado. No criado mudo ao lado da cama um bilhete: 'Desculpe, ainda não estava preparado para acordar...' Nem eu."

Para Casa, com amor
"Sentei-me na cama, procurando com os pés o par de chinelos. Me levantei, fui até a janela e continuei a ler as frases rascunhadas naquele papel: "Talvez nunca mais nos veremos de novo, prefiro não deixar contatos. Você é a pessoa mais incrível que eu poderia conhecer numa noite só. É só que... é só que... não fique chateado comigo, um dia talvez possa te explicar tudo.' Olhei no horizonte o sol que já brilhava forte... 'Assim espero' disse entre um suspiro.

Igual a tudo na Vida
"A vida tira com a mesma facilidade que dá. É tudo tão transitório. Pelo menos foi uma noite que valeu por uma vida. MERDA! Será que meu código de ética já havia queimado por completo? Espero que algumas páginas tenham se salvado..."

Tudo pode dar certo
"Passei as demais semanas pensando no cara dos olhos azul esverdeados, do perfume amadeirado, do beijo molhado e hálito quente. Provavelmente nunca mais o veria, ele estava certo. Se eu não tivesse aceitado o convite para ir naquela maldita danceteria nada disso teria acontecido. Por outro lado, se eu não tivesse aceitado o convite para ir naquela danceteria nada disso teria acontecido... e não precisa fazer sentido. "

Memórias
"Rodrigo, era esse o nome dele. Já se passaram três meses. Nunca mais tive notícias. Acho que nem todo mundo precisa ter um final feliz, mas todos deveriam ter o direito de saber porque não o terão."

A Rosa Púrpura do Cairo
"Sempre quis ter minha vida dirigida por Woody Allen. Quando aconteceu usaram justamente o roteiro que menos gostava... sacanagem!"

Match Point 
"Pelo menos recebi uma proposta para trabalhar na França. Se aceitei? Me mudo amanhã. Au Revoir!"

Tudo o que você sempre quis saber sobre amor (mas tinha vergonha de perguntar)
"Ainda queria entender o motivo..."





Observação: este texto foi produzido fazendo alusão à títulos de grandes filmes do diretor Woody Allen. Quem conhece um pouco da obra do diretor também viu muito da técnica dele na breve história de Caio e Rodrigo.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Conto: Fernando, Mariana e as estrelas

O nome dele era Fernando. Fernando tinha fama de desligado, e era verdade. Ele simplesmente não ligava para isso. Ele gostava de observar coisas que os olhos das demais pessoas não observavam. Suas melhores amigas eram as estrelas. Ele as amava, de verdade. Nomeou cada uma delas, cada uma das que conseguia enxergar. Gostava do inverno quando, apesar do frio, o céu estava limpo. E naquele dia estava. Aquela confusão organizada de astros boiando numa imensa e vaga cortina azul-marinho era a melhor definição de vida que alguém poderia escrever. Mas as pessoas não ligavam para nisso.
Ele estava boiando. Boiando numa imensa e vaga cortina azul-marinho sem expectativa de chegar a qualquer lugar que fosse. Uma vez ouviu num filme uma frase que gostou muito: "As vezes acho que não nasci pra vida real". Foi a melhor definição dele mesmo já feita por outra pessoa. Ele não havia nascido para a vida real. Era sonhador demais. Mas tentava. E tentava. E tentava. Deu seu máximo para construir uma ponte que ligasse o abismo que separava expectativas de realidades. Mas a distância era grande demais. Pobre garoto.
Certo dia, depois da escola, foi para o parque. Deitou naquela grama verde e ficou brincando de fazer poesia com as coisas que apareciam.
Era tão fascinante brincar de ser poeta que acabou perdendo a noção do tempo. E anoiteceu. E ele simplesmente sorriu. Era hora de conversar com as estrelas.
Ai ela apareceu. Mariana. Dentro do peito de Mariana o universo tinha o tamanho do seu coração. Mas as pessoas também não ligavam pra nisso.
Mariana deitou-se ao lado de Fernando, no gramado verdinho do parque, no frio do inverno e ali ficou. Não disse nada por um bom tempo. Apenas apontou para o céu e sorriu. 
Fernando sentiu que precisava quebrar o silêncio. Não o silêncio imposto pela atmosfera. Mas o silêncio em que mergulhara sua vida até então. E falou: "É Aline" "Oi?" "Aline, aquela que você apontou chama-se Aline. E aquela ao lado dela é sua irmã, Dora". Fernando ficou com medo de Mariana não amar suas amigas. Pior, ficou com medo dela não as enxergar. Mas Mariana enxergou. Enxergou e passou a amar Aline, Dora e todas as suas novas amigas como se fossem parte de si. E eram.
Mariana e Fernando passaram a se encontrar no parque todas as noites para contar às estrelas o que de poético haviam feito no dia. Fernando passou a amar Mariana tanto quanto amava Dora, Aline e suas amigas estrelas. 
Mariana também tinha brilho próprio. Ela sabia como brilhar apesar do escuro. Apesar do escuro do mundo. Fernando enxergava isso. Ele não havia nascido para o mundo real, ela também não.
Ai, numa noite qualquer, o céu estava nebuloso demais para que se enxergasse qualquer coisa do imenso manto azul marinho. Mesmo assim os dois deitaram-se no gramado do parque. Fernando virou-se para Mariana e apenas a observou. Ele agora tinha sua própria estrela. 
A ponte que estava construindo para ligar expectativas à realidades foi, enfim, demolida. Não tinha mais o menor interesse em cruzar essa fronteira.
 ---- # ----


Algo a mais:
Um dos melhores versos que Fernando compôs enquanto esperava pelas estrelas ficou assim:

Dedicado à Aline, Dora e todas as minhas amigas. De Fernando.

"Não é justo achar que observamos as estrelas
Pois a verdade é que elas nos observam 
A todo instante, basta anoitecer.
Faço meu melhor para que elas assistam a algo interessante
Mesmo sabendo que não há quase nada de interessante na humanidade.
Não espero aplausos, apenas que continuem brilhando para mim.
Apenas que continuem brilhando para mim."

Referências:
A personagem Mariana é de propriedade de um amigo meu, Gustavo Nascimento. Se você quer conhecer mais sobre a Mariana e sobre o trabalho do Gustavo clique aqui: Blog Páginas Avulsas. Desde já agradeço pela gentileza de permitir que Fernando e Mariana se encontrassem;
A frase a qual faço referência no texto é do filme "Desconstruindo Harry" (Woody Allen, 1997).
Ah, o Fernando, esse sim é minha criação. Ou sou criação dele... a verdade é que ainda não sei direito.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Poema: Dois ponto zero

Um ponto nove.
Meia-noite.
Dois ponto zero.
Zero.
Hora de zerar tudo.
Hora de (re) começar.
Hora de parar de fazer hora.

Aos sonhos... persistência.
À persistência... paciência.
À paciência... recompensas.
Ao coração partido... um novo amor.
A um novo amor... carinho.
Aos planos futuros... coragem para realizá-los.
Às feridas do passado... tempo.
Ao tempo... vida.
À vida... saúde.


Dois ponto zero mais dois ponto zero mais dois ponto zero...
E que não seja só matemática.
E que seja química, física, biologia, filosofia...
E literatura.
Para que eu possa continuar rabiscando
Pra eu mesmo ler
e  achar ruim
e mesmo assim mostrar a alguém
que achará uma graça.

E que a vida seja cheia de graça.
Porque o mundo já anda sombrio demais.
De resto, é estender a alma no varal
para que as mágoas sequem.

Não há mais tempo há perder.
Nem possibilidade de alívio.
Eu sei que não pegarão leve.
Mas estou preparado.
Sou um herói só por estar vivo
E continuar lutando
Pra me tornar infinito.

Traga a garrafa
Que hoje eu vou beber.
À vida... um brinde.




terça-feira, 13 de agosto de 2013

Resenha: Extraordinário

"Não julgue um livro (menino) pela capa (cara)."

Ao terminar de ler as 320 páginas de Extraordinário fiquei algum tempo pensativo. De repente todas as vezes que briguei com o espelho por causa a minha aparência pareceram uma enorme bobeira. Há gente com problemas físicos muito mais sérios e que mesmo assim mantêm a cabeça erguida e encaram a vida de frente.
Extraordinário conta a história (fictícia) de August Pullman, um garoto de dez anos que nasceu com uma grave deformidade no rosto. Mesmo após passar por incontáveis cirurgias a aparência de seu rosto era considerada "assustadora". Auggie, como é chamado, é fã da saga Star Wars e sempre foi superprotegido pela família. Nunca havia frequentado a escola, mas seus pais acham que já era hora de mudar essa situação, afinal, mais cedo ou mais tarde ele teria que encarar o mundo com todas as suas crueldades e... doçuras. Como já era de se esperar, o começo dessa nova experiência não é nada fácil. Mas Auggie sabia que não era difícil apenas para ele, afinal qualquer ser humano tem dificuldades de encarar o novo. Auggie não queria ser popular, muito menos amigo de todo mundo, só queria ser tratado como alguém normal. Já no começo do livro o garoto desabafa: "A única razão de eu não ser comum é que ninguém me enxerga dessa forma... talvez  a única pessoa no mundo que perceba o quanto sou comum seja eu."
Um dos grandes acertos do livro é mostrar como as dificuldades de uma deficiência física afetam não só a quem é deficiente mas também a todos que, de certa forma, convivem com aquela pessoa. A autora tem uma maneira bastante peculiar de nos contar a história: o livro é dividido em oito partes, cada uma narrada pelo ponto de vista de um personagem. O mais interessante é que muitas vezes, a mesma situação é descrita novamente, sob o ponto de vista que outra pessoa, o que pode mudar completamente o sentido daquilo. As partes são:  Parte I August, Parte II - Olivia (Via), Parte III - Summer, ParteIV - Jack, Parte V -  Justin, Parte VI - August, Parte VII - Miranda e Parte VIII - August. Os capítulos são geralmente curtos, variam entre uma e três páginas, o que pode estimular crianças (e adultos) a ler. Apesar de tratar de temas espinhosos como o bullying e a intolerância (não só por parte dos alunos do colégio como também de alguns pais) o livro é divertido, emocionante e de uma linguagem simples.
Para finalizar, como diria o professor Browne, "quando tiver que escolher entre ter razão e ser gentil escolha ser gentil", afinal, é a forma como tratamos as pessoas que faz a diferença, e respeitar o próximo é a melhor maneira de ser alguém realmente Extraordinário.

Um pequeno vídeo promocional foi produzido pela editora para introduzir a história. Para quem se interessar:



Principais personagens:
August Pullman (Auggie) - nosso protagonista
Isabel e Nate Pullman - pais de Auggie
Olivia (Via) Pullman - irmã de Auggie
Summer e Jack Will - amigos de Auggie
Charllotte, Max 1, Max 2 e Julian - colegas de classe de Auggie
Miranda e Ella - amigas de Olivia
Justin - namorado de Olivia
Sr. Buzanfa - diretor da escola de Auggie
Sr. Browne - professor de Auggie

Dados:
Livro: Extraordinário
Escritora: R. J. Palácio
Editora: Intrínseca
Ano: 2012
Nº de páginas: 320

Sobre a autora:
R.J. Palacio é uma designer gráfica que trabalha em editoras de Nova York há mais de vinte anos. Em 2012 realizou um sonho: publicar seu próprio livro. Livro que foi feito com todo o cuidado para tratar de temas completamente delicados e sempre atuais: o bullying nas escolas e o respeito às diferenças. R. J. mora em Nova York e para dar continuidade à luta contra o bullying além do livro criou também uma conta no blog Tumblr: www.choosekind.tumblr.com, que conta com milhares de acessos diários.

Fontes:
Usei como fontes o próprio livro e a  página do livro no site da editora Intrínseca. As fotos também são de lá.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Crônica: A Vida não é um episódio de Skins

Uma crônica sobre a Effy, a Carolina e o azar


Seis e meia da manhã. Acordei atrasado. Fui dormir tarde. Estava vendo Skins. Sonhei com a Effy. Pulei da cama e tomei um banho rápido. Cabelo mal penteado, roupa meio amassada. Olheiras do tamanho do meu cansaço. Dois goles de café amargo, dois não, três. Um beijo na mamãe. "Leva guarda-chuva pois vai chover", gritou ela. Não levei, a moça da previsão do tempo disse que não choverá. Cheguei no ponto de ônibus vinte minutos atrasado, o bendito já estava virando a esquina. Outro só daqui a dez minutos. Deveria ter tomado meu café com calma. Reparo numa garota linda sentada no banco do ponto, sentei ao seu lado. Agora já tenho a quem olhar enquanto o busão não chega. Ela me olhou. Eu sorri. O busão chegou. Eu entrei. A garota também. E mais uma dúzia de pessoas. E mais uma dúzia no ponto seguinte. Vinte minutos atrasado. Vinte minutos amassado. A garota bonita havia se perdido no meio da massa humana. Ou talvez já tenha descido. Carolina, era esse o nome dela, Carolina. Sei disso porquê quando ainda estávamos no ponto ela atendeu o celular e disse "Aqui é a Carol, Carolina". Ah, Carolina. Ah amores de busão. Tão rápidos e tão intensos. Meu ponto chegou. Corre rapaz, corre que São Paulo tem aversão à lerdeza! Hora do metrô, mais empurra empurra. Nenhuma garota tão bonita quanto a Carolina. Ah, a Carolina. Sai do metrô. Corre! Meu chefe vai me matar! Vou botar a culpa no transporte público. Não é só pelos vinte minutos. Dou bom dia a todos. Pelo visto não foi só eu quem teve uma noite ruim. Deve ser mal de segunda-feira. Sento na minha mesa, ligo o computador. Cumpro a agenda. Ligações. E-mails. Textos. Tédio. Hora do almoço. Aviso que vou almoçar. Barriga roncando. Fome. O tempo muda. Começa a chover. Praga de mãe. Nunca mais confio na moça do tempo. Chego na frente do restaurante. Um cara passa correndo ao meu lado e esbarra em mim. Caio no chão. Ele leva minha carteira. Volta a chover. Deve ser meu inferno astral. Volto ao escritório. Molhado, sujo, com fome e sem grana. Meu chefe me chama. Corro pro banheiro tentar me arrumar. É tarde demais, lá vem ele. Começo a explicar o que aconteceu. Ele ri. Me empresta dinheiro. É um cara legal. Me arrumo novamente. Troco de restaurante. Entro num que não conhecia. Procuro uma mesa vazia. Nenhuma. No fundo do local há uma pessoa sentada sozinha. Me aproximo. Olá, posso dividir a mesa? Ela se vira. É ela! É a Carolina. Claro. Sento. "Olá, me chamo Carolina". "Eu sei". Como? Quer dizer... não sei. Ah, sim. Sim. Ela ri. Descobri que é publicitária. Tem vinte e dois anos. Um ano mais velha que eu. Trabalha ali perto. Mora no mesmo bairro que eu. No dia seguinte almoçamos juntos novamente. No outro também. No outro ela não estava lá. No outro ela estava triste pois havia terminado o namoro. No mesmo eu a consolava. No outro ela já não estava mais triste. No outro bebemos juntos. No outro jantamos juntos. No outro também. No outro fomos ao cinema juntos. No outro transamos. No outro a pedi em namoro. No mesmo ela aceitou. No outro estávamos assistindo Skins.  Ela disse que a Effy é bonita. Eu respondo que ela é mais. Effy me desculpe, era verdade. Nos beijamos. Ah, Carolina. Bendita noite que passei acordado vendo a Effy. Bendito busão atrasado. Bendito ladrão de carteiras. Bendita chuva. Bendito chefe. Bendito azar. É rapaz, a vida não é um episódio de Skins. Mas quando quer consegue ser ainda mais interessante.

#GoodbyeSkins


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Poema: Eu te amo como amo o outono (parte II)

(Primavera)
Acho que já esgotei minha cota de palavras doces contigo
Não sei mais como me comportar,
Não sei mais o que falar
Nem sei se devo dizer alguma coisa.

(Verão)
Acho que tudo isso ainda é sobre você
Acho que você ainda faz parte disso tudo
De mim, do que sou.
Você ainda é meu tudo
Você ainda é meu
Você ainda é...
ainda é você.

(Outono)
Eu te amo como amo o outono
Não sei se isso vai passar um dia.
Na verdade nem sei se quero que passe.
Talvez seja um estado permanente de solidão
Minha alma aprendeu a viver assim
E sentou na varanda do conformismo
Pra ver a vida passar acenando de longe.

(Inverno)
É só que... é só que...
É só que eu não sou capaz de competir com suas expectativas entende?
Eu não suportaria vê-las destruídas
Para depois te ajudar a catar os cacos
foto: Paulo Dias
E colar o que sobrou.
Sou péssimo em remendar as coisas
Quem dirá sentimentos...

Talvez o amor tenha se esquecido de mim
Talvez eu tenha me esquecido dele
Ou estejamos fugindo em direções opostas.
Me pegue garoto,
Me pegue antes que eu vá longe
Longe demais.

É mais que um estado de euforia passageira
É primavera, é verão, é outono, é inverno
É inferno
É aprender a conviver com eternas reticências
Não acaba só porque termina.
Se esconde no frio,
E reaparece ao primeiro sinal de sol.

É você.
É sobre você.
É pra você.
Sempre vai ser.



Leia também: Poema: Eu te amo como amo o outono (parte I)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Resenha - O Teorema Katherine

(Eh Kantiano, se te hero me erra!)¹


Esta resenha inteira foi escrita seguindo as estruturas do livro. Notas de rodapé, opções dadas ao leitor e respondidas ali mesmo no parágrafo e uma série de expressão criadas pelo autor. Divirtam-se!

    Assim que terminei de ler A Culpa é das Estrelas² fiquei encantado por John Green. Mas restava saber se: 1) ele era realmente talentoso ou 2) foi só inspiração de um livro só. A resposta só poderia vir de uma maneira: lendo mais obras dele. A julgar por O Teorema Katherine com certeza é a primeira opção. 
   Nosso herói se chama Colin Singleton, um jovem prodígio com muita facilidade em aprender novos idiomas e criar anagramas³. Tem apenas um amigo, Hassan Harbish e um objetivo na vida: ter um momento
"eureca 4" e se tornar alguém importante.
   No campo afetivo Colin é um desastre. Péssimo em fazer amigos, ele mesmo se considera "não gostável". Sua primeira namorada, Katherine, o dispensou após um relacionamento de incríveis três minutos e meio. A partir daí, o jovem colocou um objetivo fixo na cabeça: só namoraria com garotas chamadas Katherine, "e não Katies, nem Kats, nem Kays, nem Kates, nem - Deus o livre - Catarinas. K-A-T-H-E-R-I-N-E." 
   Foram dezenove, isso mesmo, DEZENOVE Katherines, e embora os relacionamentos tenham sido diferentes o final era sempre o mesmo: elas terminavam com ele. Cansado de tanta ilusão e disposto a ter seu momento eureca o mais rápido possível Colin e seu amigo Hassan embarcam numa viagem sem rumo pelo interior dos EUA a bordo de seu velho carro Rabecão. O destino os leva à Gutshot, uma minúscula cidade no interior do Tennessee e lá eles conhecem a jovem  Lindsey e sua mãe Hollis. 
   Nesse meio tempo Colin tem seu momento eureca: irá criar um teorema matemático que poderá prever quando um relacionamento chegará ao fim e quem terminará esse relacionamento usando como base sua extensa lista amorosa. Esse teorema será expresso através de um gráfico onde a linha horizontal começa no Terminante (quem terminou o relacionamento) e acaba no Terminado (quem, digamos, levou o pé na bunda). Se tudo der certo Colin entrará para a história, se tornará importante, terá a atenção de suas Katherines de volta (especialmente da Katherine XIX) e poderá elevar seu status de um simples prodígio para um aclamado gênio. Mas será que o amor é tão previsível assim?
A amizade sincera entre Colin, Hassan e Lindsey é tão gostosa de acompanhar que fica um vazio quando o livro termina. É assim com as melhores obras. O Teorema Katherine é um livro que você começa a ler e não acredita que a história vá o prender, mas prende! Prende tanto que dá até vontade de saber mais sobre os assuntos discutidos no livro 5. John Green escreve uma história muito fugging 6 mesclando matemática complexa, notas de rodapé incríveis e muito humor (sempre característico de suas obras). O jovem autor americano, sem dúvida, está se tornando um dos mais queridos e talentosos da atualidade, palavra de quem ama literatura adolescente.


Colin (à esquerda) e Hassan (à direita)
Os personagens: 
Colin Singleton (nosso protagonista)
Hassan Harbish, (nosso co-protagonista)
Lindsey Lee Wells (amiga de Colin e Hassan)
Hollis Wells (Mãe de Lindsey)
Chase, Fulton e Katrina (amigos de Lindsey)
Katherines (da I à XIX) (ex-namoradas de Colin)
Sr. e Sra. Singleton: pais de Colin
Sr. e Sra. Harbish: pais de Hassan



Frases marcantes do livro:
"Mas Colin sabia que não era isso... Ele simplesmente não era "gostável". Às vezes é simples assim." (pg. 30)

"É possível amar muito alguém, ele pensou. Mas o tamanho do seu amor por uma pessoa nunca será páreo para o tamanho da saudade que você vai sentir dela." (pg. 141)

"Os livros são o melhor exemplo de Terminado: deixe-os de lado e eles o esperarão para sempre; dê-lhes atenção e sempre retribuirão seu amor." (pg. 148)



Sobre o Autor:
John Green é norte-americano, tem 35 anos e mora no estado de Indiana. De uns tempos para cá recebeu atenção especial da crítica por sua maneira divertida e simples de tratar os mais diversos temas em seus livros. Ganhou diversos prêmios, dentre eles a Printz Medal e o Printz Honor. Seus livros mais conhecidos são A Culpa é das Estrelas, Quem é você, Alaska? E O Teorema Katherine. ps: eu leria até a lista de compras de supermercado de Green (leiam A Culpa é das Estrelas e entenderão esta frase).




¹ - isso é um anagrama; mais sobre ele adiante.
² - mais aqui: Resenha - A Culpa é das Estrelas
³ - Anagrama é a reorganização das letras de uma palavra ou frase a fim de formar novas sentenças (com ou sem sentido completo). Colin ama anagramas!
4 - ter uma ideia brilhante de forma inesperada.
5 O livro tem um apêndice muito bom explicando detalhadamente todo o teorema matemático desenvolvido por Colin.
6 fugging é uma palavra muito usada no livro para dar intensidade às cenas. Pode ter sentido bom ou ruim, depende do contexto. É uma releitura da palavra inglesa Fucking, que em português livre significa "foda". Mais sobre isso na pg. 163 do livro.

Fontes:
Em primeiro lugar o próprio livro;
Também a página da editora sobre o livro: O Teorema Katherine (nomes dos personagens, dados e foto do autor)
O desenho de Colin e Hassan foi encontrado no Tumblr, porém o Tumblr não tinha indicação de autor.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Poema: Mais que isso

(dedico esses versos a todos os 'cegos' que passaram por minha vida, estão nela ou passarão por ela. Perdoem as desconcordâncias verbais, uso e abuso da tal licença poética.)

Alguém ai por favor te avisa

Que a gente tem tudo a ver
Mas estamos perdendo tempo
Tentando prever o imprevisível.
A gente merece mais que isso.

Eu só queria saber
Que tipo de coisa existe em você
Que me faz virar as costas e querer fugir
Mas desistir antes do primeiro passo.
Eu só queria entender
Porque é que poderíamos estar andando juntos
Mas insistimos em caminhar separados.
Será teimosia? Será agonia? Ou simplesmente medo de ser feliz?
Por favor me diz!
Talvez ainda haja tempo de tratar disso...

Eu só sei que andava conformado
Que sou mesmo assim, todo errado
E que você merecia alguém melhor que eu
Mas ai parei pra pensar
Qual ser humano está livre de errar
E condenado a ser infeliz?
Porque se for assim meu bem, eu prefiro acumular pecados,
Fico devendo a Deus
Só pra ganhar pontos contigo.

Alguém ai por favor te avisa
Que a gente tem tudo a ver
Mas está perdendo tempo
Tentando prever o imprevisível.
A gente merece mais que isso.

Rápido, por favor
Que o tempo corre
Que o trem já vai partir
Que estou com pressa pra ser feliz.
A gente merece mais que fotos bonitinhas e status plagiados
A gente merece compartilhar doideiras num ritmo desordenado
A gente merece passar o inverno juntos, abraçados
A gente merece cumplicidade, ter uma cara metade
A gente merece um ao outro.

Alguém ai por favor te avisa
Que a gente tem tudo a ver
Mas está perdendo tempo
Tentando prever o imprevisível.
A gente merece mais que isso.

Eu ainda estou aqui
Mas não ficarei pra sempre.