terça-feira, 18 de setembro de 2012

Conto: Algo sobre a semente do amor


Era como se a vida dele tivesse se tornado um solo infértil. Era com se ele fosse capaz de prever exatamente tudo o que estivesse por acontecer, afinal, não iria acontecer mais nada. Era como se aquele pedaço de terra que ele havia se transformado, retratasse fielmente tudo o que ele passou. Passou.
Ninguém, aquela altura, acreditava que algo pudesse ser feito para ajudá-lo. Sua vontade havia secado, seus sonhos haviam secado e como a esperança precisa de solo fértil para germinar, também havia secado.
Até que em um dia desses, repentinamente, ela olhou pra ele. De início sentiu uma secura tão grande que o mais prudente era se afastar. Mas não conseguiu, era tarde demais. Seu coração sentia  a necessidade de ajudar aquela pobre alma seca, sem sonhos e sem planos.
Dia após dia cuidou daquela terra seca em que ele havia se transformado. Regou, arou, preparou o solo cuidadosamente e sem pressa. Ninguém que olhava aquela cena acreditava que ela conseguiria fazer nascer algo de bom dele. Mas como bem sabemos, paciência é uma virtude que poucos tem, ela tinha.
E foi com enorme paciência que, quando viu que já era hora, ela plantou nele uma pequena sementinha. E cuidou, cuidou dia após dia.
Os outros já o olhavam diferente, não era mais pena, era uma coisa ruim que os incomodava. Todos queriam alguém que cuidasse de suas terras secas tão bem quanto ela cuidava da terra dele. Mas não encontravam ninguém. Tamanha era essa coisa ruim que fez com que nascesse ao redor da sementinha dele varias ervas daninhas. Ela se desesperou. Todo dia pela manhã quando ia cuidar da sementinha dele, lá estavam elas, as ervas. Ela as arrancava com força, mas era inútil, manhã após manhã, lá estavam as ervas daninhas.
Foi ai que ela resolveu acampar ao lado da sementinha dele, não permitindo que ninguém plantasse ai qualquer tipo de coisa que prejudicasse o crescimento do que ela havia cultivado com tamanha destreza.
Até que em um dia desses,  um dia desses que ninguém espera que aconteça nada o mágico aconteceu. A sementinha brotou.
A partir daquele dia, a planta só fazia crescer. E enraizar. E embelezar o coração daquele homem, antes seco, hoje cheio de vida. E ela, ela se sentiu tão orgulhosa de seu feito que não conseguiu sair de perto daquela plantinha nunca mais. A planta deu frutos, contagiou cada canto daquele planeta azul. Ninguém precisava mais sentir aquela coisa ruim. Até o dia em que a planta secou, e eles secaram juntos. Mas o legado que ela deixou permaneceu pra sempre, e pra cada ato dela mais tarde atribuiu-se um nome. O conjunto desses nomes ficou conhecido como sentimentos. Ao ato de plantar e cuidar da semente, não deixando que ela morra mesmo com tudo conspirando contra, foi atribuído o nome de amor. 


"O amor é uma semente presente em todo lugar, o difícil é encontra alguém com disposição para cuidar dessa semente."


3 comentários:

  1. Amei seu texto,palavras simples com sentimentos profundos.Parabéns! *-*

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  2. Meu Deus! Seus textos cada vez melhores! :') Parabéns s2

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