sábado, 7 de abril de 2012

Conto: Eu, você e o tempo

     Eu nunca fui o garoto mais bonito, nem o mais popular e muito menos o mais inteligente. Eu nunca soube tocar nenhum instrumento, nem praticar esportes, nunca fui de falar em público e nem a melhor pessoa do mundo pra tomar atitude. Mas uma hora o amor chega pra todos nós, e a minha hora chegou quando você apareceu em minha vida.
     Me perdoe por não ter tentado me aproximar, e por não ter dado grandes provas do meu amor. Me desculpe por gostar de você desse jeito tão torto que até dá a impressão contrária do que eu realmente quis te mostrar. Mas as pessoas tem formas diferentes de reagir ao amor e a minha não foi das melhores. É que sei lá, achei que pudesse te dizer sem precisar falar entende? Pensei que apenas meu jeito de ser seria suficiente pra tocar seu coração. 
     Pelo visto não foi. Pelo visto você não percebeu, ou talvez até tenha percebido mas não sabia o que fazer a respeito. Não o culpo, não me culpo... na verdade não culpo a ninguém. Sou daqueles que acham que o amor faz vítimas e não culpados.
     Estou tentando seguir em frente, juro que estou. Como diria Caio Fernando Abreu: 'Eu continuo. Apesar da saudade. Apesar de me sentir pela metade. Continuo porque é o que resta. Aprendi que se a gente não levar a vida, ela nos leva de qualquer jeito.'  
     Só quero que saiba que você continua lá, ocupando uma prateleira toda no meu coração. Talvez o tempo passe, talvez um outro alguém apareça e faça com que você vá para a parte de trás da prateleira. Mas sossegue menino, pois mesmo empoeiradas, mesmo desgastadas as lembranças de você em mim estarão sempre lá, guardadas e intocáveis. Até porque o tempo tem o poder de levar consigo as dores, mas não leva as cicatrizes.
     Quem sabe um dia, lá na frente nossos caminhos se cruzem novamente. E se isso acontecer não importa o quão empoeirados e desgastados estejam meus sentimentos por você, eu me arriscarei a sentir e viver tudo novamente. Sei que vou sofrer... mas a verdade é que não me importo, pois quando a felicidade está em jogo, sofrer é apenas um detalhe necessário.